Empresas e autoridades dão respostas sobre segurança a motoristas de apps

Centenas de motoristas de aplicativos de São Paulo e de cidades da região metropolitana compareceram ontem na Câmara Municipal para acompanhar a audiência pública devolutiva com as respostas das empresas operadoras dos serviços de transporte por carros privados e do poder público sobre as 13 reivindicações feitas pela categoria há um mês.

Com a presença da 99 e Sity, do Secretário Executivo da Polícia Militar, Coronel Camilo, e do Secretário-Adjunto de Segurança Urbana, Coronel Celso Aparecido Monari, os pontos foram discutidos e explicados, um a um. Uma das princiais questões para a segurança dos trabalhadores, a retirada dos adesivos nos para-brisas dos veículos que os identificam como prestadores de serviços de transporte, causou polêmica entre os presentes. Em reunião realizada em 4/10 com o Secretário de Mobilidade e Transportes, Edson Caram, ele alegou que os dísticos são obrigatórios para a fiscalização dos carros na cidade, mas segundo Cel. Camilo, eles são ilegais. “Hoje não pode, pela legislação de trânsito, ser afixado nada no para-brisa do veículo”, disse.

Na opinião do vereador Police, que articulou todas as reuniões entre a categoria, empresas e autoridades, a presença do adesivo é absolutamente dispensável. “Qualquer carro pode ser fiscalizado. O que fica na Secretaria da Fazenda é o CPF e a placa do carro dos motoristas. A primeira medida do fiscal é verificar se o carro está cadastrado. A segunda, se está regular. Depois, ele checa a CNH. Portanto, o dístico não serve para fiscalizar, mas só para expor os motoristas”, argumenta. O parlamentar afirmou que buscará a transcrição da fala do Coronel para oficiar a Secretaria de Mobilidade e Transportes pela definitiva retirada dos adesivos.

Ainda segundo o Coronel Camilo, não será criada uma delegacia especial para dar tratamento aos crimes envolvendo motoristas de apps. “Montaremos um grupo especializado nesses casos para atuarmos na prevenção, compreendermos como agir nas ocorrências e para termos melhor tomada de decisão”. A Polícia Civil também já estuda como fazer o comunicado de roubo do motorista pela internet e a criação de um código não-verbal para os trabalhadores se comunicarem com a polícia, tal como acontecia com os taxistas antigamente.

O Secretário fez questão de dizer também que poderá formalizar apoio às questões que não são de responsabilidade da polícia, como medidas para reconhecimento facial dos passageiros e a instalação de câmeras no interior dos carros.

Já o Secretário-Adjunto de Segurança Urbana, Coronel Celso Aparecido Monari, sugeriu o uso do programa City Câmeras, um sistema colaborativo de vigilância feito pelos próprios munícipes e empresas da cidade. Monari também indicou o SP+Segura, aplicativo que conta com 70 mil usuários voluntários que postam todos os dias na plataforma situações de crime ou desordem.

Contradição entre operadoras

Únicas empresas presentes na audiência pública, 99 e Sity apresentaram suas soluções, algumas delas contraditórias entre si. Enquanto a 99 alega que encontra dificuldades para identificar o passageiro por foto , a Sity afirma que já trabalha com a ferramenta. “Todo passageiro que chama uma corrida nossa tem que tirar uma selfie. Hoje há vários sistemas que conseguem bater as informações das pessoas em bancos de dados”, disse o representante da Sity, Fernando Angelo.

O preposto da 99, Paulo Dallari, porém, afirmou que a empresa já está trabalhando com um projeto-piloto de reconhecimento facial do passageiro em Porto Alegre e que, até o final de novembro, será feito um balanço sobre a medida. Se positiva, a ferramenta será expandida para todo o país. No que diz respeito às câmeras a bordo dos veículos, Dallari também disse que algumas cidades já contam com o serviço e que este será ampliado nos próximos meses.

Com relação às políticas de cancelamento de viagens em áreas de risco, o representante da 99 informou que a empresa está comprometida em reavaliar as regras e, assim que concluída a revalidação, os motoristas serão informados. A empresa também comunicou passará a dar ao motoristas a possibilidade de aceitar ou não as corridas em dinheiro.

Com as respostas, foram criados cinco grupos de trabalho para realizar o acompanhamento da implantação dos 13 itens pautados. As operadoras Uber, Cabify e Lady Driver não compareceram à audiência pública, mesmo tendo se comprometido formalmente em fazê-lo no primeiro encontro, realizado em 24 de setembro, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Veja abaixo as notas oficiais de cada operadora.
Uber
Cabify

Moradores de Heliópolis terão prioridade em PPP da Habitação

Mais de mil pessoas lotaram três auditórios da Câmara Municipal, na noite de terça (22/10), durante a Audiência Pública sobre a Parceria Público Privada da Habitação em Heliópolis. Ali, lote 1 da PPP, está previta a construção de 3500 unidades habitacionais. A reunião foi convocada por iniciativa do vereador Police Neto e contou com a participação do secretário de Habitação, João Farias, e do diretor da Cohab Sinésio Aparecido da Silva, entre outras autoridades. Produtiva, a audiência trouxe compromissos fundamentais da Secretaria Municipal da Habitação e da Cohab.

Cobrado pelos representantes dos movimentos populares de moradia do Ipiranga, em especial o Movimento dos Sem Teto do Ipiranga (MSTI), o secretário reconheceu a prioridade na entrega das unidades para quem mora e trabalha na região. O MSTI há 12 anos cuida dos terrenos da Petrobras para evitar ocupações e mau uso do espaço. Farias se comprometeu a apresentar o quanto antes os critérios que vão valer para a seleção das famílias a serem atendidas com as 3500 unidades habitacionais.

O atraso para o início das obras foi outro tema debatido. Em maio, durante a assinatura dos contratos e ao lado do prefeito Bruno Covas, o governador João Doria disse que pelo menos a terraplanagem começaria no prazo de um mês. O diretor da Cohab justificou a demora. Segundo Sinésio, os procedimentos de desapropriação dos terrenos ainda não foram concluídos, assim como o trabalho de descontaminação da área. As obras propriamente ditas, segundo ele, não terão início antes do ano que vem. O prazo contratual da PPP é de 3 anos para entrega das primeiras unidades. “Vamos seguir acompanhando pessoalmente cada encaminhamento para garantir justiça a quem mora e trabalha na região, está na fila da moradia e não pode ser prejudicado após anos de mobilização organizada e respeitosa com o governo e a sociedade, impedindo invasões nos terrenos”, disse Police.
Saiba mais 👉🏽 http://bit.ly/31GEFQ7

Violência contra motoristas: operadoras de apps apresentam respostas dia 30

No próximo dia 30, quarta-feira, a Câmara Municipal vai realizar a segunda audiência pública com motoristas de aplicativos, representantes das empresas operadoras dos serviços de transporte individual de passageiros e convidados do Poder Público para discutir a segurança para quem trabalha dirigindo e mesmo quem usa os serviços.

Motivado pelos recorrentes casos de violência e agressão contra os trabalhadores, o encontro é importante porque dará aos motoristas as respostas sobre as 13 reivindicações propostas durante a primeira audiência pública ocorrida na Assembleia Legislativa, no dia 24 de setembro. “Fizemos várias reuniões com secretários municipais, executivos da esfera estadual, dialogamos incansavelmente com as operadoras e agora é hora de sabermos quais soluções eles darão para que motoristas e passageiros estejam menos sujeitos à violência”, diz o vereador Police Neto.

A expectativa é que as dependências e o exterior da Câmara Municipal fiquem lotados de motoristas, a exemplo do que aconteceu na tarde desta quarta-feira (23) por conta da possível votação do PL 419/2018.

Entenda o PL

O projeto – inconstitucional, mas aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara – retoma uma discussão já encerrada em 2017, quando houve a regulamentação definitiva do funcionamento dos serviços de aplicativos. Segundo o texto, a proposta reduziria o número de trabalhadores que atuam com apps de aproximadamente 200 mil para 40 mil, equiparando a quantidade de taxistas em operação na cidade.

O PL também exigiria que somente veículos com placas paulistanas pudessem rodar dentro da cidade, limitaria a 8 anos a idade máxima que um carro poderia ter para ser usado na atividade e obrigaria que o motorista tenha automóvel próprio.

Diante do possível retrocesso para a mobilidade da cidade, o vereador Police liderou o movimento contrário ao PL no plenário, com apoio de centenas de motoristas que se manifestavam dentro e fora da Câmara. A sessão acabou encerrada por falta de quórum. “Aprovar esse projeto seria dar um passo enorme ao passado. Perderiam as pessoas, já acostumadas a se locomover com a facilidade dos apps; a concorrência de preços, que dá qualidade aos serviços prestados; e a economia da própria cidade. Temos 200 mil famílias cujo sustento depende desses aplicativos”, argumenta o vereador.

Para Police, a união dos trabalhadores pela continuidade das políticas atuais é fundamental. “Os motoristas deram um recado contundente nesta semana. Mostraram que estão organizados, informados e que não aceitarão nenhum tipo recuo. A mobilização continua cada vez mais forte.”

Fiscalizando o Busão

“O Homem acorda bom, mas o transporte público o corrompe”, diz o meme inspirado nas ideias de Rosseau e seu mito do bom selvagem. A vivência diária do transporte coletivo em São Paulo realmente pode ser uma experiência traumática, em especial para quem precisa enfrentar longos percursos. A cidade tem fracassado em promover uma política que de fato melhore a qualidade do serviços e reduza as muitas dificuldades e desconfortos.

Há algumas semanas, passei a organizar os comentários que já fazia durante os percursos diários de ônibus na minha rotina, usando critérios objetivos. Assim nasceu o “Fiscalizando o Busão”. Como além dos trajetos de ida e volta ao trabalho na Câmara sempre há um grande número de agendas pela cidade a serem cumpridas, acabo utilizando diversas linhas, permitindo uma avaliação relativamente ampla.

Infelizmente, a situação do transporte coletivo é tão precária que a imensa maioria das pessoas já se dá por contente se o ônibus esperado não demorar muito e não estiver absurdamente lotado. Um primeiro desafio foi estabelecer alguns critérios que pudessem ser objetivos e ao mesmo tempo relevantes, para ir além daquilo que deveria ser o mínimo básico de pontualidade e lotação.

Ouvindo o público e estudando os contratos das concessões de ônibus – que estabelecem como deveria ser o serviço oferecido – estou buscando um rol de fatores a serem verificados, até para ser compartilhado com outros usuários. A ideia é ser capaz não só de registrar os problemas, mas também de alguma forma transformar estes dados coletados em um elemento de política pública para de fato influenciar o sistema e produzir mudanças.

Um dos problemas de avaliar os ônibus da cidade é a enorme variação de frequência ao longo do dia. Nos horários de pico, quando todos estão indo para o trabalho/estudo, há o problema dos congestionamentos interferindo no tempo de viagem, em especial onde não há nem corredor, nem faixa exclusiva. São múltiplas as  deseconomias geradas em um sistema que opera muito acima da sua capacidade: o aumento do tempo e quantidade de paradas, as quebras causadas pela superlotação, o desconforto de se comprimir ainda mais os usuários para que todos que precisam do transporte caibam nele.

Mas São Paulo tem muita gente pegando o ônibus ao longo do dia todo, mesmo na madrugada, com os “corujões” cada vez mais demandados. Assim, nas agendas diversas em diferentes locais da cidade ao longo do dia é fácil perceber como além do problema drástico dos horários de pico há ainda uma infinidade de outros pontos que precisam ser muito melhorados. E, por incrível que pareça, cuja solução é mais simples.

A pedido do público que me acompanha nas redes sociais, tenho feito viagens em algumas linhas apontadas como mais problemáticas. E de fato o são. O conceito do “Fiscalizando o Busão” não tem nada de espetacular e demagógico. O objetivo é aproveitar os deslocamentos por ônibus que sempre fiz para, mesmo em trânsito, acrescentar mais uma tarefa de interesse público e da minha alçada como vereador. Trata-se de criar um método replicável, reunir dados e buscar através da análise deles produzir uma política pública.

Cada usuário pode ser um fiscal, de modo que a cidade construa um diagnóstico de quais são os maiores problemas nas diversas linhas. Na sequência deste diagnóstico, teremos condições de passar à ação, estabelecendo uma pressão permanente tanto sobre o poder público como sobre as concessionárias. Só assim os problemas serão resolvidos. Até porque a maioria deles está relacionada ao não cumprimento daquilo que já está estabelecido nos contratos. Esses mesmos contratos determinam que a qualidade seja levada em conta na remuneração. Mas os mecanismos para registrar as queixas são falhos, por isso Fiscalizando o Busão também se propõe a direcioná-las às autoridades por meio de uma nova plataforma tecnológica em construção pela equipe do mandato em parceria com o AppCívico. Só assim podemos dar consequências efetivas às avaliações – algo muito diferente do denuncismo vazio e da política fake que tem assombrado São Paulo.

Mandato revitaliza praça da rua Ibuguaçu

Mato invadindo a calçada, sujeira pra todo lado, sensação de insegurança, visível abandono. Esse era o contexto da praça da rua Ibuguaçu, localizada no Parque da Lapa, até que o engajamento dos moradores do bairro aliado ao trabalho do vereador Police Neto por meio da articulação do assessor parlamentar Sandro Merida fizessem a diferença para transformar o local.

A primeira semente foi plantada há mais de um ano, no dia 24 de setembro de 2018, quando o primeiro diálogo da comunidade com o mandato aconteceu. De lá pra cá, muitos encontros aconteceram até que os frutos pudesses, enfim, começar a ser colhidos. Hoje a praça é praticamente outra. Onde antes havia um grande emaranhado de mato com árvores e galhos, agora há plantas devidamente podadas e cuidadas.

A mureta quebrada que deveria conter as raízes das árvores na divisa com a calçada foi reconstruída. E o escadão, completamente abandonado, passou por reformas e agora tem corrimões e condições de uso. A iluminação, que também era um problema, já tem dias contados para ter uma solução.

Iluminação

Se antes a praça não dava nenhuma sensação de segurança por conta da escuridão, logo a história será outra. O mandato articulou a instalação de um novo poste de luz que só não foi ligado ainda por conta do acúmulo de ligações da Ilume. É questão de tempo para que a instalação seja realizada.

Nova UPA Anhanguera: obras começam no início de 2020

O vereador Police Neto se reuniu, na manhã desta quinta-feira (24/10), com o Secretário Municipal de Saúde, Edson Aparecido, servidores municipais, o conselho gestor da AMA/UBS Parque Anhanguera, além de moradores da região para tratar de diversos assuntos relacionados aos serviços de saúde prestados no território.

Um dos destaques da reunião foi a construção da nova UPA Anhanguera. Segundo o parlamentar, os investimentos serão feitos pelo Programa Avança Saúde, realizado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que vai injetar US$ 200 milhões (cerca de R$ 600 milhões) em toda a rede pública municipal de saúde.

As obras devem ser iniciadas no começo de 2020, porém ainda não há a informação sobre qual será o porte da UPA e seu volume de atendimento à população. As UPAs podem ter desde 7 leitos de observação e capacidade de atender 150 pacientes/dia em média, até 15 leitos de observação e capacidade de atender 350 pacientes/dia em média). A UPA Anhanguera será construída na rua Ricardo Dalton com a rua Alberto Gentile, no Jardim Santa Fé.

Reforma UBS/AMA Anhanguera

Quem esperava pela revitalização da UBS/AMA Anhanguera, inaugurada em 2008, também já pode comemorar, pois já é certo que o equipamento passará não só por reforma, como será ampliado. A UBS/AMA, que hoje tem capacidade para 10 mil consultas/mês aumentará sua amplitude de atendimento, podendo acolher um número maior de pacientes. Segundo o Secretário, as obras deverão começar ainda neste ano.

Além disso, o novo prédio da UBS Morro Doce receberá um aporte de R$ 1 milhão, sendo metade oriunda de verbas municipais da pasta de saúde e o restante de emendas parlamentares de vereadores. Não há maiores detalhes sobre o assunto.

SPDM fica

A possível saída da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), que administra e gere os serviços públicos de saúde na região, foi um dos temas discutidos e, depois de meses à espera de uma resposta definitiva da Prefeitura sobre o imbróglio, ficou acordado que a associação será mantida nos equipamentos, quais sejam a AMA Anhanguera I, AMA Perus, AMA /UBS Parque Anhanguera e AMA Especialidades Perus.

A informação é uma grande vitória para os moradores locais e para os servidores, já que a SPDM vinha desenvolvendo um trabalho há anos no serviço público de saúde. A troca da gestão significaria recomeçar do zero a aproximação com os moradores, conhecer seus problemas e demandas, etc.

Outros investimentos

O vereador Police também atuou para a finalização das obras da nova UPA Perus, que se arrastava desde 2015. Ele destinou emendas parlamentares no valor de R$ 1 milhão e o equipamento agora aguarda os últimos ajustes para ser inaugurado. Questionado sobre os recorrentes atrasos para a inauguração do equipamento, o Secretário Municipal de Saúde disse que esta deve acontecer no final do mês de novembro. Ele assegurou que a obra está finalizada e que o imóvel passa pelas instalações finais de equipamentos e mobília.

Com uma área construída de 2.100 m², a unidade contará com 18 leitos para acolher a comunidade e capacidade de atender até 16 mil pacientes por mês. No total, a UPA Perus recebeu investimentos de R$ 6,5 milhões. A UPA contará com um quadro de 400 funcionários, fazendo parte deste todos os servidores do Pronto Socorro Perus, e o restante será composto por novas contratações.

Veja abaixo, ainda, outros recursos do mandato do vereador Police que foram destinados à saúde nos distritos de Perus e Anhanguera nos últimos meses:

Pronto Socorro Perus e Ambulatório de Especialidades Perus

R$ 200 mil – troca geral do piso, obras de acessibilidade, revisão hidráulica, elétrica, do telhado e do quadro de força

UBS Jardim Rosinha

Valor: R$ 276 mil – Adequação da entrada de veículos, revisão geral elétrica, readequação de sistema de para-raios, instalação de refletores e ar-condicionado

UBS/AMA Parque Anhanguera

R$ 25 mil – instalação de equipamentos de ar-condicionado

UBS Morada do Sol

R$ 25 mil – instalação de equipamentos de ar-condicionado

UBS Morro Doce

R$ 25 mil – Instalação de equipamento de ar-condicionado a farmácia para ajudar a preservar medicamentos

Hackeando Centro aposta na inovação para transformar região central da cidade

Você imaginaria, há cinco anos, que seria possível saber o momento exato que seu ônibus passará no ponto próximo à sua casa? Ou então que empresas disponibilizariam veículos como bicicletas e patinetes compartilhadas por meio de um aplicativo para facilitar o deslocamento nas cidades?

Pois é. A inovação se mostra cada vez mais uma ferramenta essencial para a solução de vários problemas urbanos, sociais e econômicos e, em São Paulo, ela vem ganhando espaço de destaque, seja entre instituições privadas, seja no setor público ou até mesmo na associação de ambos.

É justamente dessa coalização entre as esferas pública e privada que surge o Hackeando o Centro, programa de Open City Innovation promovido pela hub de inovação ISSO! com patrocínio do Banco Original para buscar soluções transformadoras para a região central da cidade. De carona com essa nova tendência de usar a inovação como objeto de mudanças, o Hackeando o Centro vai premiar com R$ 50 mil startups que cumpram o objetivo de melhorar o centro nas áreas de segurança, design e urbanismo.

“Acreditamos que o Hackeando o Centro possa, junto com várias outras iniciativas sociais, culturais, de economia criativa, artes, gastronômicas e do próprio interesse crescente dos cidadãos pelo centro, gerar uma onda de renovação e transformação não apenas na área histórica de São Paulo, mas possivelmente no país”, comenta o sócio-fundador da ISSO!, Antonio Caldeira.

Nesta primeira edição do Hackeando o Centro, os trabalhos serão desenvolvidos sob a lógica da tecnologia aliada à segurança – SecureTech –, com foco na região do Anhangabaú e arredores. Os startups, hackers, designers e amantes da cidade, porém, precisam ter algum histórico de estudo ou trabalho em competências relacionadas com o gerenciamento de espaços, como profissionais e estudantes das áreas de Arquitetura, Design, Engenharias, Gestão de Projetos e Políticas Públicas, Segurança Pública, Tecnologia da Informação e Comunicação para poderem participar.

“Esperamos ter 120 inscritos para, dentre eles, selecionar 10 iniciativas até o dia 2 de dezembro e, em janeiro, escolher os 3 vencedores que seguirão conosco até março, quando se divulgará o vencedor”, conta Caldeira. As inscrições vão até o dia 25, sexta-feira, e podem ser feitas por este link.

Inspiração da administração pública

Maratona de desenvolvimento apoiada pelo vereador Police que acontece desde 2017 e que tem como objetivo criar soluções tecnológicas para a cidade de São Paulo, o Hack in Sampa é, para

Antonio Caldeira, um dos exemplos a serem seguidos quando o assunto é inovação para transformar a cidade. “Foi um dos eventos que nos inspirou, sendo muito louvável ver uma iniciativa de inovação sendo gestada dentro da administração pública municipal”, afirma.

Na última edição, o Hack in Sampa reuniu 57 desenvolvedores na Câmara Municipal para buscar ferramentas que dessem maior eficácia e eficiência ao transporte público em São Pauo. O vencedor da hackathona foi o Bus Plus, um aplicativo que organiza as demandas de passageiros dos ônibus, preenchendo os veículos vazios e ociosos de modo a combater o desperdício e a subutilização. Para o sócio-fundador da ISSO!, o evento “confirma a importância de coordenação do público e do privado na solução de temas relativos à sociedade”.

Além do Hack in Sampa, o vereador Police ainda promove outras iniciativas do tipo, como o Tech Cycle Challenge, que tem como foco a busca por soluções no universo das bicicletas. Neste ano, o hackathon premiou a Bike Go, plataforma que usa inteligência artificial e tecnologia na nuvem para auxiliar e incentivar novos ciclistas que ainda não experimentaram a bicicleta a optar pelo modal como meio de transporte.

Chamada Cívica: transformação já começou em Vila Mariana e Pinheiros


A Subprefeitura da Vila Mariana retirou o alambrado deteriorado que cercava a praça Benjamin Reginato, uma das escolhidas na Chamada Cívica para execução de projeto elaborado pela comunidade do entorno. A remoção do alambrado e de equipamentos de ginástica quebrados marca o início da requalificação do local, conforme definido pelo grupo de moradores. Iniciativa do vereador Police Neto em parceria com a plataforma Praças (Cidades.co), a Chamada Cívica recebeu 32 projetos de melhoria em praças para disputar R$ 600 mil em emendas parlamentares. Iniciativa inédita, a Chamada democratiza o acesso da sociedade ao dinheiro público e estimula a mobilização das comunidades. Sete praças foram selecionadas. Na Vila Mariana, além da Benjamin Reginato, foi contemplada a praça Arquimedes Silva.

Na Benjamin, o projeto foi finalizado em acordo com a equipe de coordenação de projetos e obras da subprefeitura e o orçamento está pronto para dar início à licitação. Na Arquimedes, o projeto está pronto, falta apenas a validação final da CET, que precisa se manifestar sobre o jardim de chuva, que interage diretamente com a rua. Trata-se de um canteiro rebaixado e adequado para captação e drenagem de água da chuva. A partir daí, começa o processo de orçamento de licitação. Os projetos de ambas as praças receberam R$ 50 mil em emendas do vereador.

Na Subprefeitura de Pinheiros, a transformação começou na praça Inácio Pereira com uma grande ação de poda e zeladoria. Na sequência, moradores se juntaram aos funcionários da sub e promoveram um mutirão de plantio, limpeza e pintura com direito a lanche coletivo. Police, o subprefeito João Grande e suas equipes acompanharam a ação. Com alguns detalhes técnicos a serem definidos, o projeto terá o orçamento fechado em breve. Enquanto isso, os moradores se articulam para garantir que as mudas plantadas sejam regadas regularmente. Apresentada pela Amorge (Associação de Moradores da Rua Geórgia), a proposta obteve R$ 30 mil. Na praça José Del Picchia, onde serão investidos R$ 70 mil, o projeto foi concluído e está em fase de orçamento.

Na Subprefeitura de Santo Amaro, as duas propostas vencedoras têm projeto e orçamento definidos. Falta abrir as licitações. São as praças Manoel Filizola e Dacio Morais Jr., mais conhecida como Cordeirinho. Ali serão aplicados R$ 40 mil para construção de um pergolado. Já na Manoel, entre outras ações, o parquinho será renovado com manutenção e adequação dos equipamentos existentes e instalação de novos brinquedos, além de mesas e bancos e postes de iluminação. O projeto foi orçado em R$ 60 mil.

Até aqui, o projeto sob responsabilidade da Subprefeitura da Sé tem sido o mais lento. Ao lado dos autores do projeto vencedor, dedicado à Praça da Vila, na Vila Economizadora, a equipe do vereador Police tem novo encontro previsto na Sub para acelerar as providências. Todas as obras da Chamada Cívica são de responsabilidade das subprefeituras, para onde foram dirigidas as emendas parlamentares. Elas somam R$ 400 mil, pois o projeto inscrito na Subprefeitura de Perus, que poderia utilizar até R$ 200 mil, acabou desclassificado por problemas técnicos.  

Scoo assume operação de bicicletários das linhas 4-Amarela e 5-Lilás do Metrô

A CCR, grupo que opera as linhas 4-Amarela, 5-Lilás e 15-Prata do metrô paulistano, e a Scoo, empresa de serviço de compartilhamento de patinetes e bicicletas elétricas, firmaram uma parceria que deve beneficiar milhares de usuários todos os dias em São Paulo.

É que a Linha 4-Amarela disponibilizará, a partir de dezembro, locais para o sharing de patinetes e bicicletas da Scoo em todas as estações em que opera. A parceria, inédita no mundo, oferecerá aos milhões de passageiros paulistanos a possibilidade da intermodalidade de viagens. “Estamos liderando o primeiro case global de integração. O que existe hoje é uma sugestão de uso dos modais, mas nós operaremos dentro das estações, com agentes treinados”, argumenta o CEO da Scoo, Denis Lopardo. “Para a SCOO, esse é um momento que marca o começo de uma nova história, de uma nova trajetória. Projetos inovadores e desafios é o que nos move e nos faz acreditar cada dia mais no poder transformador da mobilidade”, continua.

Para começar a tocar o projeto, a Scoo passou a operar, desde o dia 15 de novembro, os 13 bicicletários das linhas 4-Amarela e também 5-Lilás. “Além de manter o que já é oferecido, vamos garantir outros serviços aos usuários, como manutenção e locker”, adianta. Já em dezembro, quando a empresa passar a operar com sistema próprio, upgrades de serviços também serão oferecidos aos usuários”, diz.

De acordo com Lopardo, a integração é importante para quebrar um paradigma de como se deslocar na cidade de São Paulo. “Esse novo modelo de intermodalidade vai permitir que o usuário de transporte em massa possa escolher como fazer sua last mile (última milha, em português), se com patinete ou bicicleta. Vamos abraçar o usuário de uma maneira mais abrangente e completa, podendo, inclusive, reservar o modal que a pessoa precisa, garantindo o trajeto total da viagem”, completa Denis.

Para o vereador Police, que foi um dos mais importantes articuladores a viabilizar a operação de todas as empresas de micromobilidade na cidade de São Paulo, incluindo a Scoo – a primeira a operar no Brasil -, a iniciativa representa um grande avanço porque responde a uma questão estratégica na mobilidade. “Esta parceria permitirá ao usuário se deslocar porta-a-porta, que é uma das grandes necessidades para o transporte interligado em São Paulo”, afirma.

Até o primeiro trimestre do ano que vem, o compartilhamento de patinetes e bicicletas com o aplicativo da Scoo já estará em operação na linha 5-Lilás, e até o final do primeiro semestre de 2020, a linha 15-Prata. Agora, a expectativa é que não só outras linhas do metrô, mas estações de ônibus e trem também possam oferecer a intermodalidade para o deslocamento das pessoas de forma a expandir o conceito da mobilidade ativa na cidade.

Falta tecnologia na prevenção e combate à corrupcão

Há alguns milhares de anos a escrita surgiu, antes de qualquer coisa, pela necessidade de os Estados nascentes controlarem uma gama crescente de informações, aponta o antropólogo francês Pierre Clastrés. A própria estatística deve seu nome ao seu uso inicial como coleta de informações de um Estado. Entretanto, em algum momento da história contemporânea, o Estado ficou para trás como agente da vanguarda tecnológica no tratamento e análise de um grande volume de informações essenciais ao seu bom gerenciamento.

Se há um lado positivo neste ponto quanto a enfraquecer o controle do Estado sobre a Sociedade e os cidadãos – e isto é questionável porque em muitos aspectos esta parte não ficou para trás, em especial nos regimes autoritários – há uma dimensão na qual isto prejudica severamente a sociedade na medida em que implica em uma gestão ineficiente e ineficaz daquilo que pertence a todos. E se a gestão é ineficaz, então ela precisa cobrar cada vez mais do contribuinte ao invés de ser capaz de aproveitar melhor os recursos.

A despeito de toda coloração ideológica que tenta se dar à questão, ela interessa a todos, seja quem paga impostos, seja quem é alvo de políticas públicas ou utiliza serviços públicos, porque recursos utilizados sem eficiência e eficácia máxima significam tanto piores serviços quanto maior tributação. Não é uma questão ideológica, apenas aritmética.

A prevenção da corrupção e do desperdício precisa superar a dimensão tanto da discussão ideológica quanto moral para alcançar o nível do desafio prático de como criar ferramentas de gestão capazes de realmente otimizar o uso de recursos públicos. Na Era da Informação isso se expressa em especial na capacidade de utilizar os recursos tecnológicos para dar mais inteligência ao controle da máquina pública.

Assim como há alguns milênios algum ministro de um faraó egípcio ou rei babilônico entendeu que era necessário encontrar um jeito de fazer um registro permanente de entrada e saída das tributações, é necessário estabelecer um controle mais inteligente dos recursos públicos utilizando ferramentas tecnológicas cada vez mais capazes de processar mais informação de uma forma mais criteriosa.

Este é um pouco do espírito e da essência do PL 1/2017 – primeiro projeto apresentado no atual mandato – criando uma política de Prevenção da Corrupção, o qual tenho lutado para ver aprovado nestes quase quatro anos. Entre vários pontos, um dos objetivos dele é garantir que a inteligência tecnológica nos dê melhor análise e melhores parâmetros para estabelecer um benchmarking efetivo nas compras públicas.

Paradoxalmente, a possibilidade de tornar as informações a serem processadas e as decisões a serem tomadas serem “legíveis por máquina”, para usar o termo técnico – também a torna mais eficiente e legível pelas pessoas porque dá à legislação e às normas uma qualidade de objetividade e racionalidade que elas deviam ter.

Uma pequena dimensão de todo o potencial desta transformação que mais cedo ou mais tarde terá de ocorrer foi apresentada em uma das maratonas hackers organizadas pelo mandato, ainda em 2017. Um programa que sinalizava quando o preço pago por uma repartição do poder público municipal adquiria, por um mesmo produto ou serviço, um preço 20% maior que outra. Controle mais do que básico, visto que sequer comparava com o preço que o setor privado pagava ou que outras prefeituras ou governos pagavam, mas que apontou quase R$ 3 bilhões em casos que mereciam uma investigação mais ativa e justificariam uma adequação e padronização de procedimentos para evitar, e assim assegurar que quase 5% do orçamento anual não fosse desperdiçado.