Campo Grande usa “acupuntura urbana” para controlar covid após reabertura da economia

Uma das primeiras capitais do país a adotar o lockdown e depois retornar às atividades, flexibilizando o confinamento a partir do fim de março, Campo Grande (MS) conseguiu construir uma valiosa parceria com o setor privado para evitar uma nova onda de casos de covid-19. Secretário do Meio Ambiente e de Gestão Urbana da cidade, Luís Eduardo Costa conta que, com acompanhamento dos RHs de empresas locais, tem conseguido bons resultados na contenção da doença: “Nosso setor varejista, de supermercados, com 10 mil funcionários, teve registro de apenas 3 casos de covid, sendo que só um deles foi confirmado”. Costa foi procurado pelo vereador Police Neto para debater estratégias de reabertura da economia e protocolos adequados. A entrevista é parte do esforço do parlamentar para auxiliar a autorregulação para a flexibilização do isolamento na capital paulista. “Campo Grande é muito menor que São Paulo, com menos de 1 milhão de habitantes, e teve, se não a mais baixa, foi uma das capitais com menor incidência de covid-19. Acho importante conhecer outras experiências para auxiliar na construção das políticas públicas de São Paulo, mesmo diante de realidades distintas”, explicou o vereador. “Com os dados completos das empresas, somos capazes de identificar rapidamente um caso e agir”, disse Luís Eduardo Costa. “Vamos ter a possibilidade de ações que estou chamando de ‘acupuntura urbana’.” Isso só é possível a partir da colaboração das empresas, afirmou o secretário, reconhecendo a importância da autorregulação no processo de retomada. Acompanhe os melhores momentos da entrevista.

Police testa plataforma de telemedicina que atende comunidades

Na última semana, o vereador Police Neto participou, pela primeira vez, de uma teleconsulta para testar o funcionamento de uma avaliação médica a distância, prática que agora é considerada legal no Brasil e nas redes pública e privada em São Paulo para evitar a exposição de médicos e pacientes ao contágio do coronavírus.

O teste foi feito depois de o parlamentar ter sido convidado pela startup de tecnologia em saúde Nós Médicos, que tem com foco o atendimento a distância de pacientes e desenvolveu um sistema eficiente também para uso em telefones celulares. “O convite surgiu por causa de nosso trabalho para instituir o home office como política pública na cidade, que vem lá de 2018. A empresa reconheceu nosso esforço e decidiu nos convidar para experimentar a plataforma e oferecer o serviço de forma gratuita a comunidades e entidades que trabalhem no atendimento à população mais vulnerável”, explica o vereador.

A plataforma, que também atende a pacientes no Rio de Janeiro, Salvador, Manaus e Recife, em especial, onde se encontram várias consultas, existe desde abril deste ano e já conta com mais de 150 atendimentos oferecidos sem custo para casos suspeitos de covid-19. Em São Paulo, a Nós, Médicos já realizou consultas para moradores das comunidades de Paraisópolis e Brasilândia, bairro com mais mortes por coronavírus na capital. “Atestado serviço, o segundo passo agora é atender outras áreas carentes da cidade, levando saúde e cuidado pra dentro da casa das pessoas”, afirma Police. Fernando Lane, CMO da Nós, Médicos, explica que a startup atende empresas e pessoas físicas. “Temos consultas pagas em um modelo com médicos de referência tanto para o mercado corporativo quanto pessoas físicas”, disse Lane. “Fazemos o agendamento on-line após cadastro em nossa plataforma: www.nosmedicos.com.br.”

A prática da telemedicina foi sancionada pelo prefeito Bruno Covas no início de maio e, além das consultas médicas, triagens, diagnósticos e monitoramentos, autoriza também a realização de cirurgias a distância nos atendimentos.

Assista ao vídeo da consulta de Police:

Do pior dos mundos ao ‘novo normal’

A pandemia não foi uma surpresa, ainda que tenha pego governos e sociedade despreparados para lidar com o desafio. Diversas epidemias de menor alcance, algumas inclusive de origens diferentes do coronavírus têm surgido na última década, e um dos focos das discussões da Conferência Habitat III, no Equador, e do Fórum Urbano Mundial, na Malaísia, foi “A Cidade Resiliente”, no qual um dos grandes problemas a se enfrentar era exatamente o risco crescente de pandemias em escala global.

Porém, a concretização da ameaça nos pegou no Brasil e, em particular na cidade de São Paulo, em péssimas condições para enfrentar o desafio. Além das já crônicas deficiências do sistema de saúde, ainda vivemos um momento de extrema polarização política no qual não bastam as decisões técnicas que em uma situação normal seriam suficientes. Há, pois, a necessidade de se criar um difícil consenso em um ambiente completamente poluído do ódios ideológicos e fake news disseminando informação perigosamente falsas.

omo agravante adicional, a pandemia abala negócios já fragilizados, derretendo qualquer viabilidade de investimentos em qualquer prazo. De fevereiro a abril, foram fechados 4,9 milhões de postos de trabalho, agravando a situação de desemprego que já afetava 13 milhões de trabalhadores. Há, então, uma enorme dificuldade em conseguir o consenso necessário em um cenário de profunda recessão. Em especial, muitos setores que vinham ajudando no nível de emprego mesmo com crise, como os motoristas de aplicativos e o setor de turismo e lazer, foram fortemente impactados pela pandemia eliminando boa parte deste colchão que vinha atenuando as dificuldades geradas pela crise geral da economia.

Embora tenhamos excepcionais técnicos de saúde pública, muitos dos quais estavam atentos e preparados para a situação de emergência, políticas de grande impacto não se adotam sem uma vontade política, certo grau de consenso e coragem para tomar decisões assertivas. Na cidade de São Paulo, o que acabou acontecendo foi que se tentou compensar a falta de capacidade de impor um efetivo isolamento social e contenção da circulação com experiências mirabolantes de tentativa e erro – bloqueio, rodízio ampliado, feriadão extemporâneo –, que desgatou ainda mais a força necessária a medidas efetivas e erodiu toda possibilidade de consenso pela perda de credibilidade. Gastou-se um capital político precioso em tentativas que não valiam a pena.

O anúncio atribulado de início de estudos para a reabertura das atividades, entendido pelo público como um anúncio do fim das medidas de isolamento, agravou ainda mais um cenário desastroso e qualquer política de contenção se tornou muito difícil de ser implementada. Tem-se, então, um cenário com o pior dos dois mundos: de um lado, não há mais força política e consenso para medidas que efetivamente ampliem o índice de isolamento; de outro,o desastre econômico ronda os segmentos e empreendimentos que conscientemente adotaram o isolamento.

Um exame sincero e realista das opções que existem neste momento não leva a conclusões muito otimistas. A perspectiva de imposição de um lockdown por duas semanas, que reduziria drasticamente a circulação do vírus, pode ser a solução técnica mais recomendada, mas com poucas condições políticas e operacionais de ser implementada. Exige uma coragem de enfrentar críticas que já ficou demonstrada que não se tem. Envolveria reduzir lucros de setores como o transporte coletivo, provavelmente o maior player destro da administração que dedica boa parte da sua energia em manter a lucratividade do setor e encontrar dinheiro para pagar o subsídio bilionário mesmo em tempos de crise. E, sobretudo, exigiria um grau de suporte da população difícil de se obter depois de sucessivas experiências desastradas.

Requereria, também e principalmente, uma capacidade operacional para ser imposta que, mesmo em situações normais, não se tem em uma cidade onde mais da metade do que existe é irregular em algum grau. Impor o lockdown nas regiões de São Paulo onde existem condições e não ser capaz de impô-lo na maior parte da capital, em especial na periferia, é não só inútil como reforça o cenário de “pior dos dois mundos” mencionado acima, com altíssimo custo em vidas, particularmente dos mais vulneráveis, e empregos, sobretudo nos setores mais dinâmicos e responsáveis.

A outra alternativa é menos palatável, mas ao menos viável: estabelecer um política de reabertura gradual, orientada por protocolos sanitários sólidos endossados pelos próprios setores e com a responsabilidade e garantia destes setores quanto ao seu cumprimento. Embora não pareça óbvio para quem só enxerga branco ou preto, um isolamento social mais inteligente, menos rígido, mas efetivamente aplicado é a solução cinza possível, até para que o resto dos créditos operacionais e políticos da Prefeitura possam ser utilizados na contenção efetiva do funcionamento desordenado como prioridade, deixando de premiar a indisciplina e castigar o bom senso.

Não é uma tarefa fácil, contudo. Mas é capaz de reconstruir algum grau de consenso em torno do combate à pandemia, dividindo a responsabilidade pelo controle e conscientização com a própria sociedade e, em especial, com as entidades representativas dos setores produtivos que terão a oportunidade de demonstrar que são parceiros de boa fé comprometidos com a saúde pública tanto quanto com a preservação de empregos e negócios. Restabelecer um consenso em um momento de tanta divisão e nos tornar capazes de unidade na luta contra um inimigo de todos não é pouca coisa.

É evidente que esta operação também precisa de indicadores precisos para garantir a mensuração pelos resultados de sua eficácia. Caso o comprometimento com os protocolos não tenha a necessária aderência e o número de mortos aumente em escala ao invés de ter a redução esperada, então restarão poucas alternativas a não ser um efetivo lockdown cuja força para implementação passará a ter a legitimidade da única ação possível capaz de salvar vidas. A reabertura responsável é nossa última chance de uma solução não traumática.

“Muito prematuro”, diz um dos maiores especialistas do mundo em epidemiologia sobre retomada das atividades em SP

Em live compartilhada no Instagram e no Facebook, o vereador Police Neto conversou com o Doutor Paulo Lotufo, médico epidemiologista, pós-doutor pela Universidade de Harvard e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Para o médico, o planejamento apresentado pelo governo do estado não levou em conta a interligação que existe entre as cidades da Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com ele, colocar a cidade de São Paulo em uma fase diferente das demais do entorno, cria mais problemas que soluções. “Quem é que trabalha no comércio da Teodoro Sampaio, no Shopping Eldorado, no Iguatemi ou no Villa Lobos? São as pessoas que moram no Taboão, no Embu, Osasco”, aponta. “Acho muito prematuro o que foi feito”, continua, referindo-se à retomada das atividades anunciada pelo governo estadual nesta semana.

Outra incongruência no chamado Plano SP, segundo Lotufo, é passar a ideia de que está tudo bem, induzindo, assim, uma volta à normalidade num momento em que os números só sobem. “Por mais precisa que seja a informação, quando se fala em reabertura é porque o paciente já está melhor. E já pode sair do quarto, ir para a sala, para a rua”, concorda o vereador Police Neto.

Sem medir críticas ao isolamento vertical e ao posicionamento do Presidente da República, o professor Paulo Lotufo ainda aponta a ineficácia da chamada ‘imunização de rebanho’, defendida pelo governo federal. “Morreriam cerca de um milhão e duzentas mil pessoas, se esperássemos todos pegarem a doença para se imunizarem”, diz. O especialista também comentou sobre o passaporte de imunidade – permissão para sair e trabalhar normalmente dada para quem já se contaminou pelo novo coronavírus e conseguiu se recuperar – e alertou para o problema de possíveis fraudes, além da ineficiência dos atuais exames em verificar se já há imunidade contra o novo coronavírus.

Segundo o médico, a única maneira de vencer a crise é repensar a cidade, a começar pelos deslocamentos. “Uma coisa que vamos precisar fazer é criar turnos de trabalho diferenciados, para não lotar o transporte público”, sugere. No mesmo sentido, o vereador Police Neto lembrou que bandeiras de seu mandato têm potencial de contribuir para frear a disseminação do coronavírus, mas que ainda encontram resistência da Câmara Municipal para serem colocadas em discussão. Entre elas a inclusão e fomento de novos modais como a bicicleta, os ônibus sob demanda, além do regime de home office de trabalho, aparecem como ferramentas no combate à Covid-19.

Jardim Peri recebe ação contra covid-19

Nesta quarta-feira (27), o bairro do Jardim Peri, na Zona Norte, recebeu nova ação social promovida pelo Grupo Farma Conde, que realizou uma megapulverização articulada junto à Prefeitura de São Paulo pelo vereador Police Neto.

Com um trator carregado de hipoclorito de sódio, substância usada como desinfectante e bactericida, a empresa percorreu toda a região do Jd. Peri, que pertence ao Distrito de Cachoeirinha, um dos mais afetados pelo coronavírus, com 126 mortes contabilizadas pela Secretaria Municipal de Saúde até o último domingo (24). O bairro tem aproximadamente 100 mil moradores.

“A pulverização bactericida age em 90% do vírus que está no ar, portanto a comunidade hoje está muito mais protegida”, diz o vereador Police. “Sem dúvida nenhuma, a utilização de máscaras, luvas e álcool em gel é fundamental, mas a Farma Conde trouxe essa inovação e a gente agradece muito a esse pessoal trabalhador, do interior do nosso estado, que veio pra São Paulo ajudar nossas comunidades”.

Em 21 de maio, a mesma ação foi levada aos Distritos de Perus e Anhanguera, beneficiando outra região populosa de São Paulo e que até o domingo (24) contabilizava 75 mortes por covid-19. A parceria, que em meados de abril também esteve na comunidade de Paraisópolis, é mais um esforço do mandato para, além da política, promover a saúde e a segurança da população paulistana.

Police cria força-tarefa para reabertura cuidadosa da economia

O Plano São Paulo enfim abre o caminho para a retomada das atividades econômicas na capital paulista, desde que isso seja feito a partir de regras capazes de manter sob controle a covid-19. Depois de apresentar um pacote de medidas para ajudar a superar a crise social e econômica em São Paulo, à espera de votação na Câmara Municipal desde o início de abril, o vereador Police Neto se dedicou a buscar experiências bem sucedidas de flexibilização e apoiar diversos setores na construção de seus próprios regulamentos para a retomada.

A Prefeitura vai aprovar regras para cada setor, em cada fase de retomada gradual, sem datas definidas, iniciando esse processo o dia 1/06. “Para evitar uma nova onda de contaminações na capital, é fundamental adotar regras responsáveis e adequadas às diferentes realidades das regiões da cidade”, explicou o parlamentar. “Ao invés de impor um modelo de cima para baixo, é melhor preparar essas regras de controle, os chamados protocolos de funcionamento para evitar a disseminação da covid-19, em parceria com os próprios negócios, lojas, restaurantes etc.”

De acordo com o vereador, ninguém conhece tão bem a realidade desses estabelecimentos do que os proprietários e funcionários que trabalham ali diariamente. Há 40 dias, o parlamentar já promoveu ou participou de mais de uma dezena de reuniões sobre as rotinas pós-pandemia com comerciantes e associações de todas as regiões da cidade, incluindo o comércio de rua, seja na periferia, seja no Centro, seja em referências como a Alameda Gabriel Monteiro da Silva e a Rua dos Pinheiros. Entre os setores com os quais o parlamentar já se reuniu estão bares e restaurantes, pet shops, lojas de móveis e decoração, construção civil, telecomunicações e teletrabalho. Police se dedicou ainda a estudar experiências internacionais e fora de São Paulo. Na semana passada, entrevistou o secretário de Meio Ambiente e Gestão da Prefeitura de Campo Grande, Luis Eduardo Costa. Reunindo também orientações e dados médicos, consultas a economistas e urbanistas, na prática o vereador criou uma espécie de força-tarefa para dar suporte à reabertura.

“Não houve nenhum setor disposto a atropelar o confinamento e abrir a qualquer custo”, contou Police. “Da Associação Nacional de Restaurantes à pequena loja no Distrito Anhanguera. Ou seja, com a devida orientação médica e elaboração de regras adequadas, temos todas as condições de retomar as atividades. A questão agora é fazer isso o mais rápido possível.”

Transporte Público
Nesta quinta (28/5), o parlamentar reuniu o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alfredo Cotait, os vereadores Rodrigo Goulart e Xexéu Tripoli e uma série de entidades e comerciantes para tratar não apenas dos protocolos de reabertura, mas de ações de recuperação dos negócios e manutenção de empregos a curto e médio prazo. Participaram a Associação Viva Moema, Coletivo Pinheiros, Aceda (Associação Comercial e Empresarial do Distrito Anhanguera), representantes da Alobrás (Associação de Lojas do Bras) do movimento Renova Centro e ANR (Associação Nacional de Restaurantes), entre outros comerciantes e proprietários de bares e restaurantes. Coordenador do Laboratório de Projetos e Políticas Públicas da Faculdade de Arquitetura e Urbanisno do Mackenzie, Valter Caldana defendeu a ampliação dos horários de funcionamento dos estabelecimentos para permitir jornadas diferenciadas para os funcionários e combater aglomerações no transporte público. “Não há projeto de retomada possível sem organizar o transporte público”, afirmou o professor. “Temos que cuidar dos vetores de transmissão, e o transporte público é um dos principais.”

Em paralelo, Police segue trabalhando pela aprovação do PL217/2020, o Plano Emergencial de Ativação Econômica, com medidas capazes de atrair R$ 11 bilhões em investimentos privados e gerar mais de 100 mil empregos. “Retomar as atividades não basta. A Prefeitura e o Governo do Estado precisam fazer muito mais para enfrentarmos os efeitos colaterais da covid-19”, disse o vereador.

Lives da semana: Tire suas dúvidas sobre a pandemia com Dr. Paulo Lotufo

O vereador Police Neto entrevista, nesta quarta (27/5) às 19 horas, o médico epidemiologista Paulo Lotufo. Docente da Faculdade de Medicina da USP, é considerado um dos profissionais mais influentes do mundo em sua área. Lotufo também é especialista em bioestatística, campo hoje em destaque na medicina em função da pandemia de covid-19. De acordo com informações da Prefeitura, possivelmente a cidade vai saber na própria quarta-feira se terá de entrar em lockdown, ou seja, medidas bem mais restritas de circulação e isolamento social do que as em vigor hoje. Além de explicar o impacto e o que pode significar o lockdown no enfrentamento do coronavírus, Lotufo vai responder a dúvidas enviadas pelos espectadores da live. A conversa será transmitida ao vivo por meio da página de facebook do vereador Police e de seu instagram.

Na terça (26/5), Police participa de live sobre a Chamada Cívica2020 ao lado de Marcelo Rebelo, urbanista e fundador da plataforma Cidades.co, parceira na realização do edital de emendas parlamentares de Police. A Chamada Cívica 2020 vai selecionar os projetos mais interessantes para melhoria de espaços públicos na cidade, incluindo praças, ruas, escadões, escolas e equipamentos de saúde, além de propostas de fomento nas áreas de empreendedorismo, cultura e esporte. Estão em disputa emendas no total de R$ 1 milhão.
As inscrições para a ChamadaCívica2020 vão até 30/6. O objetivo da live é tirar dúvidas dos interessados em participar e sobre como realizar a inscrição e entrega de documentos necessários. Saiba mais em chamadacivica2020.cidades.co

Lockdown à vista

Neste domingo (24), o Estado de São Paulo completa 2 meses de confinamento, e o prefeito da capital, Bruno Covas já disse que a decisão sobre aumentar as restrições de circulação e decretar o chamado lockdown será tomada e anunciada na próxima quarta-feira. A equipe do vereador Police Neto tem feito o monitoramento diário dos números da pandemia na capital paulista e passa a divulgar o balanço semanal diante do risco iminente do lockdown. A fonte dos números é o boletim epidemiológico da Prefeitura de São Paulo, e os gráficos foram elaborados para facilitar a compreensão das informações. Na própria quarta (27), às 19 horas, o vereador Police Neto participa de live com o médico Paulo Lotufo, da USP, considerado um dos mais influentes do mundo em sua área de atuação. Professor da Faculdade de Medicina, Lotufo, é epidemiologista e atua também na área de bioestatística. O médico vai analisar os números mais recentes da covid-19, as regras ideais para decretar o lockdown e tirar dúvidas da população sobre a doença. Acompanhe em facebook.com/josepoliceneto e @policeneto no Instagram.

Casos Confirmados


Taxa de Ocupação UTIs x Taxa de Isolamento



Casos suspeitos

Média de Óbitos

Média de novos casos

Campanha #NãoViaja conscientiza população sobre importância de isolamento no feriado fake

Desde que a quarentena foi imposta na cidade de São Paulo, o vereador Police Neto tem fiscalizado as medidas da Prefeitura e cobrado tomadas de decisão baseadas em estudos científicos ou levantamentos que indiquem o melhor caminho pra se vencer a pandemia.

Nesta semana, o parlamentar iniciou nas redes sociais a campanha #NãoViaja, para ajudar a cobrar da população maior conscientização com relação à antecipação dos feriados de Corpus Christi, Consciência Negra e 9 de Julho, decretada em parceria da Prefeitura com o Governo Estadual. “Decidimos lançar a campanha porque muita gente está interpretando esses dias como um megaferiado normal, e não é. O governo achou que um ‘minilockdown’ disfarçado seria uma solução, mas a medida parece mais um problema”, avalia.

Veiculada no Facebook, Instagram e mídias off-line, a campanha traz peças que alertam sobre a possibilidade de se contrair a Covid-19 e que reforçam a importância de se manter em isolamento, apesar da natural vontade que as pessoas têm de passear e socializar.

De acordo com o Centro de Contingência da Covid-19, nesta quinta-feira (21), o índice de isolamento social na cidade de São Paulo ficou em 52%, enquanto na quarta-feira (20), primeiro dia de feriado, a porcentagem ficou em 51%. Segundo especialistas, porém, o índice ideal de isolamento para achatar a curva de disseminação do coronavírus seria de 70%. Até o momento ainda não houve divulgação do índice atingido nessa sexta-feira (22), mas ao que tudo indica, a média deve ser mantida – sexta foi ponto facultativo.

“Passados dois dias de feriado e está provado que a escolha do ‘minilockdown’ foi outro erro, tal como a restrição das vias e do megarrodízio. Agora, na terça-feira, alguém vai ter de explicar à população que a medida não teve, de novo, o resultado esperado. E a cada dia que sem as ações corretas a pandemia ganha mais força e nossa economia fica mais fraca”, afirma Police.

Como a burocracia alimenta a corrupção

Uma história originária da Índia conta que um mercador, na pressa para protocolar uma petição, um pedido qualquer para que o governo local autorizasse seu trabalho, deixou de colocar um dos carimbos exigidos e teve a petição negada. Seu recurso foi passando por várias instâncias do governo e acabou provocando uma investigação sobre a origem da exigência. Ao final do inquérito, se descobriu que o carimbo era, na verdade, a marca da xícara deixada pelo oficial que primeiro tinha respondido àquele tipo de pedido.

Nossa burocracia está cheia de “marcas de xícara”, de procedimentos que sempre foram inúteis ou se tornaram obsoletos com a enorme evolução da tecnologia nas últimas décadas. Ainda se cobra reconhecimento de firma nesta época de certificação digital e prédios são construímos para atender às pessoas, enquanto muitos serviços poderiam ser resolvidos on-line. É verdade que o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 mostrou as dificuldades de inclusão digital de grande parte da população, mas a digitalização dos serviços e a universalização do acesso a esses meios têm de ser enfrentados paralelamente.

Há muito tempo, o papel já deveria ter sido abolido do serviço público. Não só mais econômicos, os meios digitais também permitem um exame e consulta com mais recursos e qualidade, além de ser muito mais facilmente reproduzido e transmitido, até para fins de transparência e controle social.

Mesmo sem levar em conta a questão da evolução tecnológica, o processo de compras públicas sempre foi deficiente. Cheio de regras complexas e exceções, lento e pesado sem a contrapartida da segurança e economicidade em nome das quais estes defeitos são colocados e que tornam a corrupção no Brasil proverbial e endêmica.

Mas a evolução tecnológica torna esse fantasma ainda mais apavorante, porque feito em uma época de poucos computadores e sem internet – muito mal remendado para abrigar os pregões – o modelo de compras públicas é incapaz de fazer um bom uso da tecnologia para dezenas de elementos que poderiam ser muito aprimorados. A economia em geral poderia ser estimulada por compras em rede ao invés de aquisições gigantescas de produtos cartelizados, muitas vezes de qualidade duvidosa ou produzidos exatamente para atender a requisitos misteriosos de editais, só para citar um exemplo menos óbvio das vantagens.

Nestes momentos de crise profunda na qual a economia que já estava em recessão afunda pesado com as medidas necessárias ao controle da pandemia da Covid-19 enquanto as despesas públicas se tornam muito mais necessárias para atender às demandas geradas pela doença e socorrer os setores afetados, a implantação de um controle melhor sobre as compras públicas torna-se ainda mais essencial.

Desde janeiro, a cidade tem um instrumento legal mais moderno para evitar a corrupção antes que ela aconteça, a Política Municipal de Prevenção da Corrupção. Proposta por mim, discutida por vários anos na Câmara Municipal, foi sancionada pelo prefeito no início deste ano. Infelizmente, para ter toda a sua efetividade liberada, depende de algumas regulamentações, em especial quanto à modernização dos procedimentos de compras hoje adotados e que são atualizados pela lei.

Inexplicavelmente, mesmo em um momento no qual as dificuldades de caixa provocados pela redução da receita e aumento de despesas (inevitáveis no cenário atual), a Prefeitura vem adiando sucessivamente estas regulamentações. Os recursos adicionais que o Município conseguiu da União por meio de adiantamentos e repasses não deveriam ser vistos como um dinheiro a mais a ser desperdiçado em entregas descuidadas e eleitoreiras de cestas básicas sem critério bem definido. Deveria, pelo contrário, ser usado com o máximo de racionalidade e otimização para enfrentar uma crise que não tem data para acabar e para financiar a superação das dificuldades econômicas da cidade de forma sustentável.

Mas a prefeitura deixa de lado exatamente um dos mecanismos mais eficientes e modernos que teria para dinamizar este controle, correndo não só o risco de desperdiçar um dinheiro curto, mas também de acabar, pela urgência e falta de procedimentos adequados, gerando escândalos.