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Do Caminhar Pinheiros ao Ocupa Rua – a “guerra do meio fio” em São Paulo

Na próxima terça (22/9), é comemorado o Dia Mundial Sem Carro num contexto diferente. A pandemia acabou incentivando o transporte individual por facilitar o distanciamento social. Mas o debate sobre os deslocamentos urbanos neste Mês da Mobilidade vai muito além do uso de um meio de transporte específico. Há uma disputa real pelo espaço, pela forma de planejar e organizar as cidades e, muitas vezes, como no caso de São Paulo, trazer equilíbrio entre o espaço reservado para as pessoas, as bicicletas e os carros.

A lógica do desenvolvimento paulistano sempre privilegiou os veículos individuais e de motor a combustão, mas a cidade vive uma mudança ainda sutil, embora crescente. Lançado recentemente, o projeto Ocupa Rua, que permite a oferta de serviços de bares e restaurantes em calçadas ampliadas, onde seriam vagas de estacionamento, inclui 30 estabelecimentos no Centro. Outros bares e restaurantes estão proibidos de usar suas mesas nas calçadas, mesmo aquelas previamente autorizadas.

“É uma iniciativa importante, mas que deveria beneficiar também outros locais da cidade. A sobrevivência de muitos bares e restaurantes seria mais fácil, mesmo com modelos híbridos, permitindo criar ambientes controlados em praças e no próprio estacionamento do restaurante, não necessariamente na rua”, diz Police Neto, autor de projeto de lei em tramitação na Câmara que apoia o setor gastronômico de diferentes formas, inclusive facilitando a ocupação de espaços ao ar livre fora das áreas preferenciais do pedestre.


Caminhar Pinheiros
Muito antes do Ocupa Rua, o vereador já articulou e participou de diversas ações de “urbanismo tático”, promovendo a segurança viária e propondo usos variados do espaço público, em especial as vagas de estacionamento nas ruas. Projetos como a Praça Guaicuí e o Caminhar Pinheiros, que substituiu 18 vagas de estacionamento na Rua dos Pinheiros por faixas de circulação, segurança e bem-estar para o pedestre entre as ruas Joaquim Antunes e Cônego Eugênio Leite.


Esquina da Rua dos Pinheiros com a Cônego Eugênio Leite (Caminhar Pinheiros)


Realizado em parceria com o Coletivo Pinheiros e os escritórios Boldarini Arquitetos Associados e PS2 Design, apoio da CET, da Subpreitura de Pinheiros e da Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito, além de patrocínio da 99, o Caminhar Pinheiros permitiu o teste temporário (novembro de 2018 a fevereiro de 2019) de um outro modelo de circulação e desenho, mas que produziu mudanças definitivas, como a redução da velocidade máxima na Rua dos Pinheiros de 50 para 40 km/h. “Foi um grande aprendizado, que colocou em prática o Estatuto do Pedestre e escancarou a ‘guerra do meio fio’ que muitas metrópoles enfrentam, a disputa por exemplo entre ter uma vaga de estacionamento, uma ciclofaixa, uma calçada mais larga ou uma mesa de restaurante ladeando as ruas. Nas esquinas, a calçada ampliada reduzia em 40% a área de exposição do pedestre ao risco durante a travessia e induzia os veículos a reduzirem a velocidade para fazer a conversão. Uma estratégia simples e bem conhecida de “acalmamento de tráfego”.

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Amigos da Catarina
Aliás, a mesma executada pelo vereador num dos cruzamentos mais perigosos do Jabaquara, na avenida Santa Catarina com a rua Dr. Djalma Pinheiro Franco. O projeto Amigos da Catarina, realizado em parceria também com o arquiteto Marcos Boldarini e a CET, beneficia uma área de intensa circulação, que inclui uma UBS, uma igreja e diversos comércios de rua.

Avenida Santa Catarina x Rua Dr. Djalma Pinheiro Franco, no Jabaquara


Praça Guaicuí
Já na Praça Guacuí, ao lado do coletivo de empreendedores da boêmia Rua Guaicuí, o projeto reservou a rua para pedestres aos finais de semana, com a oferta inclusive de atividades culturais gratuitas. A rua recebeu uma pintura especial e os comerciantes têm um projeto ainda não executado de transformar o espaço por inteiro, criando mais áreas permanentes de convivência para o pedestre. A iniciativa teve patrocínio da Yellow.  

“Há diversas estratégias baratas e simples capazes de reduzir a violência no trânsito, como a implantação de lombofaixas e rotatórias verdes, mas falta vontade política para garantir que saiam do papel. Eu consigo executar muitas com recurso de emenda parlamentar, mas a cidade precisa de mais, repensando sua mobilidade como um todo e privilegiando o transporte público, a sustentabilidade, o compartilhamento e a mobilidade ativa”, afirma Police Neto.

Rua Guaicuí, pintada para o início do projeto Praça Guaicuí (foto @instagrafite)

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