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É hora de celebrar… A luta não para, só começou!

“Louco, sim, louco porque quis grandeza

Qual a sorte a não dá.

Não coube em mim minha certeza;

Por isso, onde o areal está

Ficou o meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem

Com o que nela ia.

Sem a loucura que é o homem

Mais que a besta sadia,

Cadáver adiado que procria?” (Fernando Pessoa, Mensagem)

A vontade das urnas é soberana, em especial para quem a democracia não é palavra vazia que enfeita discursos, mas um princípio que guia a conduta. E a vontade das urnas foi negar-me a recondução para mais um mandato, o quinto, na Câmara Municipal de São Paulo.

É claro que a decisão me entristece, até porque interrompe um momento particularmente criativo no qual, com a maturidade e o conhecimento acumulado sobre a cidade, pude avançar na construção de uma estratégia de formulação de políticas inovadoras desafiando as velhas práticas e conceitos. É triste, sim, não poder expressar na tribuna da Câmara ou exercer, com as atribuições que o mandato oferece, meu amor a esta cidade, ousando enfrentar os problemas que tantos consideram complicados demais para lidar.

Mas o que sinto hoje é gratidão e a certeza de que há muito o que celebrar sobre estes 16 dos meus mais de 25 anos de vida pública, entregando o melhor de mim para representar a população de São Paulo. Abracei com todas as minhas forças e dedicação esta oportunidade, atravessando momentos bons e ruins, sendo governo ou oposição com a mesma seriedade e responsabilidade – sem abrir mão de lutar arduamente para que uma proposta ruim fosse aprimorada, mas jamais impedindo que um bom projeto fosse aprovado só porque era do campo adversário, divisão, aliás, que é sempre efêmera.

Também me orgulho de ter abraçado muitas causas difíceis, daquelas que “não dão voto” – como ouvi infindáveis vezes – e demandam muito esforço e estudo para serem enfrentadas. Escolhi temas para me dedicar em função da dimensão que o problema tinha para a cidade, não pelo potencial de votos que poderia me dar. Afinal, a finalidade de um mandato é resolver problemas e não ganhar votos, na crença de que o que fazer com o poder que se tem é muito mais importante do que obter o poder.

Da mesma forma, mesmo nos piores momentos de polarização, sempre propus e decidi pela eficiência e eficácia das propostas, jamais por rótulos de esquerda ou direita que dizem tão pouco sobre o quanto uma política pode resolver um problema. Assim, defendi a Função Social da Propriedade – até hoje, 10 anos depois da aprovação de minha lei, é uma das poucas legislações municipais sobre o assunto e a única com resultados concretos –, tanto quanto lutei para garantir a liberdade de escolha das pessoas no uso de aplicativos,  contra regulamentações complexas e proibitivas, e defendi a desestatização responsável de ativos que pouco ou nada têm a ver com as funções do Estado ou que este não tem capacidade para administrar. Não divido as soluções entre de esquerda ou direita, apenas entre aquelas que funcionam ou não. As que funcionam merecem ser aplicadas seja qual for sua origem.

Também rejeitei com veemência os atalhos do clientelismo, o assistencialismo e a compra de votos, que se utilizam do sofrimento e desespero das pessoas e da fragilidade e ineficiência dos sistemas públicos para ocultar a origem ilícita e perniciosa dos recursos de onde provém estas migalhas trocadas pelo voto e consciência das pessoas. A solidariedade, ainda mais em momentos difíceis como os que vivemos este ano, é necessária, mas ela não pode ser confundida com a barganha por votos que humilha e compra.

Não me limitei a fazer discursos genéricos e irados contra a corrupção. Busquei a fundo combater os privilégios, os supersalários, as manobras para ampliar ainda mais os benefícios de vereadores e altos funcionários. Abri mão de carro e motorista e de parte significativa da verba de gabinete, apresentei centenas de requerimentos buscando informações sobre pontos nebulosos da administração, pedi abertura de CPIs sobre o desvio de finalidade de ZEIS, a cobrança abusiva do IPTU, a cobrança indevida do Vale-Transporte. Também estudei mecanismos de controle da gestão pública por anos para produzir a mais completa e moderna legislação do país para prevenir a corrupção em São Paulo e garantir transparência nos gastos públicos.

Poderia citar muitos outros exemplos da opção para fazer e dizer aquilo que era necessário para a cidade ao invés de seguir o caminho mais fácil e eleitoralmente mais vantajoso. Independentemente de ter errado ou não em alguma decisão, porque errar faz parte do risco de tomar decisões, de fazer algo, não me arrependo da diretriz que segui. Só por esta diretriz é que um mandato tem sentido, faz realmente diferença. Colocar as decisões sobre “o que fazer com o poder” acima de “como se manter no poder a qualquer custo” é, na minha visão de política, essencial para que um mandato se justifique.

A pequena distância que esta diretriz me deixou de renovar meu mandato mostra que, com todas as dificuldades, com toda a desesperança que reina na sociedade – a qual potencializa a omissão ou venda do voto – ainda assim estamos mais próximos da grande mudança institucional de que precisamos. Começamos a construir uma cultura cívica de participação qualificada, de lutar por instituições permeáveis à sociedade, focada em valores e no debate racional das ideias.

Não me arrependo dos caminhos que segui, porque ir pelos atalhos seria negar a mim mesmo e deixar de lado a paixão pela cidade e pela política que me definem. A luta não para… Só começou!

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