Feiras de economia criativa, com produtos autorais, gastronomia, música e atividades gratuitas, têm ocupado cada vez mais praças, ruas e outros espaços públicos da cidade. De um lado, o fenômeno cresce impulsionado pelo empreendedorismo e alternativa ao desemprego, de outro, demonstra a disposição das pessoas de buscar espaços de convivência ao ar livre, mais perto de casa. Existem mais de 15 feiras desse tipo na capital, algumas itinerantes, outras com periodicidade determinada, mas a maioria distinta das feiras tradicionais de artesanato e antiguidades de São Paulo, como as da praça Benedito Calixto, em Pinheiros, e da República, no Centro.

De olho nas contrapartidas para o espaço público e a comunidade, garantia de sossego e boa interação com os moradores do entorno e estímulo às feiras, o vereador Police e o Instituto de Design Público deram início a um processo comum de organização dessas feiras. A proposta é criar uma Rede de Produtores de Feiras Criativas. O primeiro encontro, realizado no início de novembro, reuniu representantes de 9 feiras. Entre outras feiras, participaram a FIC, Feira Ofício, Criativa Mente, Feira das Ideias, FOCA e Old Roger.

A maioria dos desafios são comuns aos produtores que atuam em São Paulo, como a burocracia para obter a autorização das feiras ou a coincidência de datas e locais desejados para os eventos, gerando uma disputa, em geral, negativa para todas as partes.

“O desemprego e as mudanças profundas no mundo do trabalho estão alimentando o empreendedorismo”, explica Police. “Cresce a economia criativa, colaborativa, autoral, sustentável e socialmente responsável. E a cidade precisa dar conta dessa transformação de maneira organizada, ou pode acabar sufocando atividades ótimas para as pessoas e também para a população e os espaços públicos como um todo. “

Fundadora do Instituto de Design Público e da Feira de Intercâmbio e Criatividade (FIC), Mari Pini lembra que esse modelo de feiras remete ao sistema de trocas da Idade Média, que contribuiu decisivamente inclusive para a fundação das primeiras cidades. “Queremos criar uma rede que possa apoiar os produtores, facilitar a organização das feiras e demonstrar também nosso compromisso com a  cidade, com o uso responsável do espaço público.” A primeira troca de experiências foi muito bem recebida entre todos os participantes das feiras CriativaMente, Festival Pinheiros, Das Ideias, Ofício, Foca, Feira do Bem, FIC, Comida de Herança e Old Roger. “As feiras literárias em São Paulo, por exemplo, já seguem um calendário unificado”, diz Ana Paula Ribeiro, da Feira Ofício. Kauê Magalhães, da Old Roger, defende a construção de um projeto de lei para organizar as feiras e ao mesmo tempo dar segurança jurídica aos eventos.

Reunião entre produtores de feiras criativas, realizada no Eureka Coworking;
em destaque, Mari Pini (ao fundo, à direita)

“Primeiro precisamos entender as dificuldades de cada um para depois definir se a melhor solução é mesmo um projeto de lei”, afirma Police. O próximo encontro do grupo está marcado para o início da 2020. Até lá, a ideia é apresentar o resultado de um estudo com o maior número possível de produtores de feiras criativas em São Paulo.

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