O megarrodízio decretado pelo prefeito Bruno Covas não tem surtido o efeito esperado. No terceiro dia de funcionamento, dados do governo estadual obtidos pelo Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI), que coleta informações de telefonia móvel em vários pontos do estado, dão conta de que o índice de isolamento social na cidade de São Paulo chegou só a 48,1% nesta quarta-feira (14), frustrando novamente a expectativa do governo de chegar aos 55% e atestando as críticas de que a medida é um erro.

Para efeitos de comparação, na segunda-feira (11), o percentual de isolamento ficou em 49%, 1 ponto a mais na que no mesmo dia da semana anterior, quando o novo esquema de rodízio ainda não vigorava. Na terça-feira (13), o índice foi de 48,4%, enquanto no mesmo dia da semana anterior o isolamento chegou 47,6%.

Os números mostram que, além do megarrodízio não ter atingindo o esperado até o momento, a restrição tem empurrado os paulistanos para o transporte público. De acordo com a Prefeitura, com 1,5 milhão de carros deixando de circular em função da medida, cerca de 600 mil pessoas tiveram que utilizar ônibus, trens e metrôs para se locomoverem pela cidade. As outras 900 mil usaram transporte por aplicativos, táxis, veículos de mobilidade ativa ou ficaram em casa.

“Embora não sejam dados exatamente comparáveis, quando vimos o fluxo no transporte coletivo crescer em média 12% e o resultado prático do rodízio não passar de 1%, sabemos que a política não está tendo o efeito esperado”, analisa o vereador Police Neto, que considera a medida um erro grave da gestão Covas. “O pior é saber que, além de não funcionar, o megarrodízio está tendo efeito contrário à intenção que o originou, que é frear a disseminação do coronavírus, e já há estudos indicando que se não aumentarmos rápido o isolamento, só o lockdown resolverá”, diz.

Para o vereador Police, que alertou sobre os riscos do megarrodízio antes mesmo da medida ser posta em prática, é momento de reconhecer o erro e voltar atrás. “Ainda na sexta (8) avisei que o transporte público, plataformas e pontos de ônibus ficariam aglomerados. Está mais do que provado que a restrição de veículos não funcionou. É chegada a hora, portanto, de ter humildade de retirá-la para conter os danos já causados”, afirma o parlamentar.

Tecnologia como alternativa
Diante do desafio de encontrar soluções que possam conter a disseminação da Covid-19, o vereador Police buscou serviços de locomoção já exitosos em outras cidades mundo afora e propôs a operação de ônibus sob demanda na cidade de São Paulo.

O grande diferencial da tecnologia com o sistema público, explica Police, é que ela permite controlar o embarque de passageiros, evitando as aglomerações. “É possível restringir a quantidade de pessoas dentro dos ônibus e distribuir o fluxo de usuários, seguindo dentro dos veículos todas as recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde)”.

Na prática, o usuário pede a viagem por meio do aplicativo da operadora e o sistema avisa onde e quando encontrar o ônibus, sendo possível também pagar a viagem com antecedência ou utilizar o Bilhete Único. “O objetivo é interligar terminais e equipamentos públicos de saúde, e atender regiões específicas, sempre fazendo rotas alternativas que não são feitas pelo sistema público”, afirma.

Para saber mais sobre o sitema de ônibus sob demanda clique aqui.

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