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Pensar, Desenvolver, Gerir – Um programa para a cidade de São Paulo

Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.

Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.

Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.”

(Carlos Drummond de Andrade, Nosso Tempo)

A polarização política dos últimos anos acirrando ânimos e a grave crise econômica que torna ainda mais escassos os recursos, portanto aprofunda a luta por eles, agravou o cenário de conflito de visões e interesses na intrincada rede da metrópole. Os conflitos na sua maior parte são legítimos, na medida em que expressam demandas de segmentos diversos, com demandas diferentes – e não obrigatoriamente opostas. O problema, aprofundado pelo cenário atual, é quando o foco destes conflitos desloca-se das ações e medidas concretas capazes de atender as demandas para discursos vazios cujo objetivo único é marcar posição.

A diferença fundamental é que os conflitos que expressam demandas concretas podem em algum grau serem harmonizados em um programa comum no qual os vários segmentos encontram um equilíbrio e conseguem ver atendidos pontos de seu programa. Em muitos casos é possível encontrar mesmo uma sinergia entre interesses diversos na qual as demandas podem se integrar. Este ponto é particularmente relevante quanto às necessidades gigantescas de infraestrutura e oferta de moradia na cidade, pontos focais onde as demandas sociais, ambientais e econômicas podem facilmente encontrar um programa comum quando se tem o foco na resolução dos problemas e a mediação é técnica ao invés de ideológica. A despeito desta possibilidade, estas questões continuam sendo tratadas como conflitos ideológicos impedindo o grande salto de qualidade na vida da população da cidade.

Outro ponto sobre o qual é essencial construir o quanto antes um consenso capaz de produzir um programa sólido e harmonioso diz respeito à manutenção e geração de emprego. O estímulo à atividade econômica distribuída por toda a cidade, liberando nossa vocação de cidade policêntrica – portanto menos congestionada e desigual – com uma carga fiscal mais justa e o apoio ao invés de perseguição do poder público precisa se tornar uma realidade rápido, antes que a perda de postos de trabalho comprometa o conjunto da cidade com seu empobrecimento. Em especial as mudanças comportamentais e tecnológicas, das quais a emergência do teletrabalho acelerada pela pandemia é a mais relevante, exigem ações rápidas e decisivas para conseguir manter a cidade atrativa para manter aqui estes postos de trabalho.

Das muitas crises que a cidade precisa ter coragem de enfrentar rapidamente, a situação do transporte coletivo por ônibus está bem próxima de explodir. O subsídio ao transporte coletivo já é a segunda maior despesa do orçamento e a queda do volume de passageiros – provocada pela baixa qualidade e confiabilidade do serviço – tende a se agravar. Há um forte indicativo que a recuperação do volume de passageiros pré-pandemia é muito mais lenta no sistema de ônibus do que em trem/metrô, e o crescimento do teletrabalho também trará impacto na redução do volume de passageiros. Estas tendências devem agravar o déficit do sistema e consumir ainda mais recursos, logo não cabendo mais no orçamento. Repensar esta equação e construir outro modelo mais sustentável talvez seja a grande tarefa do poder público e da sociedade nos próximos anos, afetando não só os milhões de passageiros de ônibus sujeitos às condições precárias mas também o conjunto da população privada de recursos de investimento consumidos neste modelo falido ou sujeitas a pagar mais impostos para tampar este buraco crescente, que neste ano consumirá mais de R$ 3 bilhões.

Para encontrar estas soluções nestas questões de infraestrutura, moradia, emprego, desenvolvimento econômico e mobilidade temos de buscar novas formas de fazer as coisas e aperfeiçoar os processos antigos cuja funcionalidade está comprometida. Pra sair do discurso ideológico ou das práticas inerciais temos de buscar ferramentas inovadoras de gestão com foco nos resultados que precisamos para superar os problemas. Na medida em que há resultados concretos a serem avaliados, torna-se possível tanto criar uma governança mais ampla – atendendo a necessidade de migrar das bandeiras vagas às ações concretas – como é possível estabelecer prioridades verdadeiras e viáveis. É também a comparação de resultados que nos permite equacionar a alocação de recursos e combater a corrupção e o desperdício que consomem recursos essenciais para que a cidade se desenvolva.

O controle e fiscalização dos gastos públicos – essencial tanto para garantir os investimentos necessários quanto para reduzir a carga fiscal – precisa evoluir do embate de forças políticas para uma medida efetiva da eficiência dos gastos, sinalizando os pontos fora da curva que indicam irregularidades, estabelecendo parâmetros de gastos, comparando recursos gastos e resultados efetivos das políticas para desenvolver o que funciona e corrigir o que falhou, independente do partido que esteja ocupando o poder neste ou naquele momento. Esta objetividade no combate à corrupção que ultrapassa o denuncismo do adversário e a tolerância aos aliados é o passo fundamental que precisamos para varrer de fato nosso legado de Estado ineficiente e entrar na modernidade.

Em linhas gerais este é o sonho para o qual gostaria de convidar cada eleitor. Sonho feito de projetos ambiciosos e metas audaciosas, mas construído a partir de uma análise pensada da realidade para ser viável, passível de ser construído nas condições existentes e no tempo de mandato. Sonho construído com a cabeça nas nuvens, mas os pés solidamente firmados no chão para ser capaz de ganhar a realidade.

Vamos construir este sonho juntos?

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