A terceira edição do Hack in Sampa, maratona de desenvolvimento que teve como desafio criar soluções tecnológicas para o transporte público por ônibus em São Paulo, reuniu, neste fim de semana, na Câmara Municipal 57 desenvolvedores, programadores, designers e profissionais de diversas outras áreas em mais de 32 horas ininterruptas de trabalho. No plenário da casa, os competidores se dividiram em dez equipes para criar sistemas, plataformas e aplicativos que, entre outras funcionalidades, auxiliam no combate a fraudes e otimizam bancos de dados para a melhoria da gestão pública.

A equipe Like a Bus, vencedora da maratona, desenvolveu o Bus Plus, um aplicativo que organiza as demandas de passageiros dos ônibus, preenchendo os veículos vazios e ociosos de modo a combater o desperdício e a subutilização. O app funciona com os relatos dos próprios usuários e de inteligência artificial de reconhecimento de imagem atrelada às câmeras dos ônibus. Os integrantes do grupo, Daniel Freitas, Marina Arguelles, Jessiane Leal, Thiago Toledo e Bruno Bisogni, foram premiados com cinco notebooks, R$ 500 em crédito para serem utilizados no aluguel de patinetes e bicicletas, além de mais R$ 10 mil a serem pagos após a finalização do aplicativo. O grupo terá seis meses de mentoria no Eureka Coworking para completar a programação e todos os detalhes do novo sistema. “A tecnologia dá passos largos, enquanto as leis se esforçam para acompanhar seu ritmo. Esperamos que, depois que o projeto for aprofundado e desenvolvido, ele realmente seja bem recebido politicamente para poder fazer a diferença para as pessoas”, disse Daniel Freitas.

O segundo lugar da competição ficou com o grupo 108 Hub, que desenvolveu a TerçaData, uma plataforma que centraliza as diversas fontes informação do sistema público de ônibus em um único banco que valida os dados de forma a combater fraudes. Como premiação, a equipe recebeu R$ 3 mil. Já a equipe Távola Redonda, terceira colocada, foi premiada com a quantia de R$ 1 mil. O projeto cria um dashboard que mostra métricas, custos e gastos dos ônibus para que as concessionárias tenham a melhor tomada de decisão e para que a sociedade possa utilizá-lo para fins de pesquisa e monitoramento.

Outros projetos relevantes

Ainda que não tenham sido premiados na competição, outros projetos merecem destaque pela sua inovação e capacidade de melhorar as condições do transporte. É o caso do ColaBus, do grupo SP Trans, uma plataforma que permite ao usuário planejar sua rotina de viagens e programar a rota mais adequada. O app também informa a localização dos ônibus e alimenta um banco de dados baseado nas informações cadastradas pelos usuários. Já o grupo Tatau criou um software de combate à fraude nos bilhetes únicos que utiliza o sistema de blockchain. O programa possibilita o rastreio e o controle de todos os créditos realizados no bilhete único, detectando clonagens e operações fraudulentas.

O aplicativo Oh, Motô, desenvolvido pelo grupo Benjamin, se utiliza de um raspberry instalado nos ônibus para acessar as informações coletadas nas catracas. O app possibilitaria ao usuário saber, em tempo real, se há assentos disponíveis no veículo, verificar históricos de dados, além de outras funcionalidades de interação entre os passageiros, como uma rede social.

De acordo com o vereador Police Neto, idealizador da ação, o Hack in Sampa provou mais uma vez sua grande capacidade de estimular a tecnologia e engajar a juventude em benefício da cidade. “Ao mesmo tempo que criamos ferramentas para melhorar o transporte público, também incentivamos os jovens a se mobilizarem por questões de interesse coletivo, despertando e engajando nesta nova geração um espírito político importante para São Paulo”, afirmou.

Arnaldo Luis Santos Pereira, representante da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos); Gustavo Caetano, advogado e representante da AASP (Associação dos Advogados de São Paulo); Francisco Santana, presidente do Ibracom (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), André Oliveira, diretor jurídico e de compliance da Basf; João Francisco Resende, diretor da divisão técnica da CGM-SP (Controladoria Geral do Município); e Júlia Ximenes, assessora econômica da Fecomercio-SP compuseram o juri que selecionou os vencedores.

O Hack in Sampa teve patrocínio do Ibracom e Fecomercio, além do apoio do iFood, CHK, Microsoft, Grow, Eureka Coworking e Cidade Viva.

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