Depois de 10 meses parada, operação das ciclofaixas de lazer será retomada neste final de semana

A operação das ciclofaixas de lazer, agora batizada como Ciclolazer, voltará a funcionar neste final de semana. Foram mais de 10 meses sem os espaços destinados às bikes que fizeram o divertimento dos paulistanos por 10 anos, mas um termo de parceria firmado com a Uber vai retomar a atividade por, pelo menos, um ano a partir deste domingo (19).

De acordo com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, as ciclofaixas funcionarão nos mesmo esquema que antes, aos domingos e feriados, das 7 às 16 horas, e custarão R$ 12 milhões em investimento à Uber. A empresa foi a única interessada em dar continuidade aos 117 km de vias desde que a Prefeitura encerrou o contrato com o Bradesco, e desde a desclassificação da Innovia do edital de fevereiro deste ano, que abriu a concorrência de novas inscrições para o projeto.

Para o vereador Police Neto, que além de ciclista é autor de uma série de projetos de lei relacionados à mobilidade, a retomada das ciclofaixas representa muito pra cidade, ainda mais no contexto de pandemia. “Tê-las de volta [as ciclofaixas] é uma grande alegria. Mais do que isso, significa uma alternativa segura de lazer nesse momento em que é crucial respeitar os protocolos sanitários”, afirma.

O retorno da operação também reacende uma luta antiga do mandato, que é pressão pela regulamentação do Bike SP (Lei 16.547/16). Desde que foi aprovado, em 2016, as regras para implantação do programa ainda não foram estabelecidas, o que impede o incentivo ao uso das bicicletas na cidade. “As ciclofaixas são fundamentais pra desenvolver cada vez mais a cultura da mobilidade ativa em São Paulo, mas não é o suficiente. Paralelamente, precisamos de uma política pública consistente, que tire as pessoas principalmente do transporte público, mas também dos carros e das motos, e as coloque em cima das bikes”, diz Police.

O Bike SP consiste em incentivar as pessoas a trocar os transportes automotores e poluidores pelas bicicletas, pagando créditos a elas sem comprometer os cofres públicos. A conta está no valor que a Prefeitura economiza cada vez que deixa de repassar às empresas concessionárias do transporte público o recurso que inteira as passagens de cada usuário. Com parte desse valor, a população pode abater seus impostos, além de comprar bens e serviços; o restante fica para que a cidade utilize em seu orçamento, podendo destinar mais dinheiro para pastas como saúde e educação. Conheça em mais detalhes o Bike SP.

Veja onde as Ciclofaixas de Lazer estão na cidade de São Paulo:

Paulista/Jabaquara (18.61 km)
Paulista/Centro (16.2 km)
Jabaquara/Ibirapuera (10.2 km)
Ibirapuera/Parque do Povo (7.9 km)
Parque do Povo/Villa Lobos (15 km)
Brasil/Paulo VI (8.5 km)
Parque do Povo/Chuvisco (13.4 km)
Zona Norte (7.9 km)
Zona Leste (19.1 km)

Regulamentação do Bike SP é urgente para SP vencer os novos desafios da mobilidade urbana

Enquanto o resto do mundo encontra nas bicicletas a solução para os novos desafios da mobilidade urbana impostos pela pandemia, São Paulo continua ignorando os comprovados benefícios das magrelas, mesmo com lei já sancionada que incentiva a troca do transporte público e dos automóveis pelas duas rodas, prevendo, inclusive, economias significativas aos cofres públicos.

Na França, por exemplo, país que já conta com a cultura das bicicletas bastante difundida, as vendas online de bikes, empurradas pelo incentivo dado pelas autoridades, subiram mais de 350% somente entre o período que corresponde à chegada do coronavírus à Europa até o mês de maio. O aumento na procura chegou a fazer com que a Decathlon, rede de lojas de artigos esportivos espalhada pelos cinco continentes, passasse a investir na compra de bicicletas usadas para repará-las e depois vendê-las. Mas não é só em terras francesas que a procura pelas bicicletas já se tornou um fenômeno. No país vizinho, em Londres, a fabricante Brompton, que atua no mercado de bikes desde 1976, também tem encontrado dificuldades para suprir a procura nos últimos meses. “Temos mais demanda do que podemos fazer”, disse o executivo-chefe da empresa, Will Butler-Adams, em entrevista ao Financial Times. Do outro lado do Atlântico, nas cidades estadunidenses de Denver e Chicago, o co-proprietário da Turin Bycicle, Lee-Katz, que está no ramo há 55 anos disse ao mesmo jornal que “não há nada parecido que tenha acontecido antes assim”.

Já no Brasil, especialmente na capital paulista, a realidade é bem diferente. Em vez de colocar em prática políticas públicas que fomentem a cultura e o mercado das bikes como os exemplos internacionais, a cidade tem preferido empurrar os cidadãos para o transporte público, mesmo com os fatos mostrando que a frota de ônibus municipais é insuficiente para atender toda a população com qualidade sem deixar de seguir todos os protocolos sanitários. É muita gente pra pouco ônibus. Ainda assim, o poder público não consegue dar resposta mais óbvia: estimular o uso das bicicletas e a mobilidade ativa individual.

Com o anúncio da volta das ciclofaixas de lazer para o próximo domingo (19/7), desta vez sob a tutela da Uber, São Paulo pode ganhar mais um motivo, além da própria discussão em torno da segurança proporcionada pelas bikes em tempos de coronavírus, para perceber a bicicleta como um modal fundamental na locomoção urbana quando é preciso zelar pelos cuidados sanitários necessários à retomada econômica. Já amargando o terceiro ano desde que foi sancionada pelo então prefeito Fernando Haddad, a lei 16.547/16 – apelidada como Bike SP – é o primeiro passo a ser dado nessa direção. Trata-se de um programa de incentivo ao uso da mobilidade ativa que, além de promover uma economia importante para os cofres públicos municipais, ainda remunera em dinheiro o ciclista que deixar de utilizar ônibus em seus deslocamentos. “Com menos pessoas usando o transporte público, a Prefeitura passa gastar menos com o valor do subsídio pago anualmente às empresas. Parte desse dinheiro é repassado aos cidadãos, a outra fica à disposição da cidade”, afirma o vereador Police Neto, autor do projeto de lei que originou Bike SP. A própria Secretaria da Fazenda da cidade já constatou por meio de estudos técnicos que o repasse de recursos aos cidadãos vinculado à diminuição do custo do subsídio é benéfico as contas públicas.

“É chegado o momento de subir o tom com relação a esse descaso. Motivos não faltam. Além de ser uma questão de saúde pública, que pode literalmente salvar a vida das pessoas, o BikeSP é lei!”, afirma Police Neto. “A cidade precisa dar aos cidadãos o que é deles por direito e, pior do que negligenciar esse fato, é negar à cidade uma alternativa tão eficaz ao nosso transporte público, que dá a segurança sanitária que as pessoas precisam, é não poluente, sustentável e ainda gera economia para investimento em outros serviços públicos”, finaliza o parlamentar.

Assine o abaixo-assinado pela regulamentação do BikeSP.

Prefeitura apresenta novo plano cicloviário

Após seis meses de espera, foi apresentado nesta sexta (13/12) o novo plano cicloviário da cidade. Segundo o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Edson Caram, a Prefeitura vai construir 173 km de novas ciclovias e reformará outros 310 km de vias existentes, totalizando 676 km de pistas exclusivas para bicicletas na cidade – hoje são 503 km. A implantação do projeto deverá ser concluída até o final de 2020.

Um dos pontos de atenção do plano são 12 km de ciclovias que serão remanejadas para melhorar a conexão com outros meios de transporte. “Os critérios para mudança dessas 25 ciclovias são não haver integração, ter baixa utilização ou uso indevido, comércio ilegal e não conexão com a malha existente”, disse Caram, prometendo que nenhum metro de ciclovia será perdido.

De acordo com o plano, serão implantados cerca de mil paraciclos espalhados pela capital. “Todas as unidades básicas de saúde, parques, museus, subprefeituras, teatros e outros equipamentos da cidade terão locais para estacionamento, até mesmo para incentivar a população a utilizar cada vez mais a bicicleta”, afirmou o secretário.

Para tirar o projeto do papel, a Prefeitura vai gastar R$ 325 milhões, com custo médio de R$ 140 mil por quilômetro. Também serão aplicados R$ 250 milhões para o recapeamento das vias onde estão ou estarão as futuras ciclovias.

Diferentemente do modelo anterior, as ciclovias terão tachões inseridos a cada metro e a tinta será antiderrapante. A ideia é conectar as ciclovias a estações e corredores de ônibus, metrô e trem. Segundo Caram, 73% de toda a malha será ligada ao transporte público.

Novas ciclovias e vias extintas
Duas ciclovias serão extintas, ambas na Zona Leste. A via localizada na avenida Bento Guelfi, na região de São Mateus, e a da rua Professor Gustavo Pires de Andrade, na Vila Prudente, serão suprimidas do mapa cicloviário, mas serão feitas novas conexões para atender a frota de bicicletas dessas áreas.

Com relação a novas ciclovias, a Prefeitura anunciou que as avenidas Henrique Schaumann e Rebouças serão ligadas à malha cicloviária das avenidas Sumaré, Paulista, Faria Lima e Berrini. Já a ciclovia da Radial Leste terá novos 5,7 quilômetros adicionados, que levarão até o Parque Dom Pedro II.

Bicicleta como meio de transporte poderia adicionar até R$ 870 milhões ao PIB da cidade São Paulo

Estudo inédito sobre o impacto social do uso da bicicleta na cidade de São Paulo divulgado nesta quinta-feira (10/5) é a prova de que as políticas de incentivo a esse meio de transporte, como o Programa Bike SP, precisam avançar. Pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a pedido do Itaú Unibanco, indica que a expansão do uso da bicicleta poderia acrescentar até R$ 870 milhões ao PIB municipal. Mas os efeitos positivos não aparecem apenas na Economia: são relevantes no Meio Ambiente e na Saúde, com uma redução de 18% nas emissões de dióxido de carbono com transporte e economia de 13% (R$ 34 milhões) por ano no Sistema Único de Saúde com internações por doenças cardiovasculares e diabetes.

Lei do vereador Police Neto aprovada em 2016, o Bike SP aguarda regulamentação da Prefeitura. O programa prevê a transferência de parte do subsídio público destinado ao sistema de transporte coletivo para cada usuário que trocar o ônibus e o carro pela bicicleta em seus deslocamentos diários. Nos dias 26 e 27 de maio, hackers e desenvolvedores vão se reunir numa maratona para sugerir sistemas de gerenciamento e controle para o programa.

A pesquisa do Cebrap ouviu 1,1 mil pessoas de todas as regiões da cidade, ciclistas e não-ciclistas. “Se planejadores urbanos, políticos, estudantes ou mesmo a população têm dificuldade de entender por que é importante incentivar o uso da bicicleta em São Paulo ou em qualquer grande cidade, este estudo contribui com algumas respostas”, diz Carlos Torres Freire, coordenador do Cebrap, responsável pela pesquisa.
“O estudo representa uma ferramenta importante para evidenciar o poder de transformação que a bicicleta pode ter nas cidades”, afirma Luciana Nicola, Superintendente de Relações Governamentais e Institucionais do Itaú Unibanco.
O banco mantém 8,3 mil bicicletas em sistemas de bike sharing na capital paulista e diversos municípios.

Meio Ambiente
Para mensurar os impactos ambientais, os pesquisadores do Cebrap identificaram os deslocamentos realizados por automóveis e ônibus que poderiam ser substituídos por bicicleta, considerando como ‘viagens pedaláveis’ aquelas com até 8 quilômetros de distância realizadas entre 6h e 20h por pessoas com até 50 anos de idade.
Desse modo, 31% das viagens de ônibus poderiam ser pedaladas, levando a uma diminuição de 8% do CO2 emitido por este meio de transporte. Considerando-se os deslocamentos realizados de automóvel, até 43% deles poderiam ser realizados de bicicleta, gerando um potencial de economia de 10% das emissões. Logo, se o potencial ciclável fosse atingido, poderíamos ter uma redução de até 18% da emissão de CO2 originárias dos transportes de pessoas na cidade de São Paulo.
A partir da análise, estima-se que os ciclistas de São Paulo são responsáveis, atualmente, por uma redução de 3% de todo o CO2 emitido com transporte de passageiros na cidade.

Saúde
Na perspectiva individual dos impactos na saúde, o estudo comparou os perfis de atividade física da população de São Paulo em geral e de ciclistas, com a hipótese de que o segundo grupo seria mais ativo. A proporção de indivíduos regularmente ativos entre ciclistas é quase três vezes maior que a da população em geral. No que diz respeito à dimensão social, partiu-se da ideia de inatividade física como fator de risco associado a doenças, projetando a potencial economia de recursos no sistema de saúde caso a população de São Paulo adotasse um perfil de atividade física semelhante ao dos ciclistas.

Concluiu-se, então, por um lado, que o uso da bicicleta para os deslocamentos cotidianos propicia aos indivíduos uma redução nas chances de adquirir uma série de doenças. Por outro, traz um benefício social de economia no sistema de saúde que favorece a sociedade.

Os pesquisadores projetam que, caso a população aderisse ao perfil de atividade física dos ciclistas, a redução da chance de ter diabetes ou doenças do aparelho circulatório, em função de um maior nível de atividade física, levaria a uma redução de gastos no Sistema Único de Saúde (SUS) com a internação em virtude dessas doenças. O impacto estimado poderia gerar mais de R$ 34 milhões em economia somente na cidade de São Paulo.

Economia
Na economia, a pesquisa projeta o potencial aumento do PIB municipal levando em consideração o ganho de tempo no deslocamento. Parte-se da premissa de que deslocamentos mais rápidos geram maior produtividade, impactando o PIB. Se o potencial ciclável das viagens realizadas de automóvel e ônibus em SP fosse aproveitado, haveria um acréscimo de aproximadamente R$ 870 milhões no PIB municipal por ano.

Com base nas informações detalhadas de gastos mensais dos indivíduos, o estudo calculou o peso do item transporte na renda mensal pessoal. A partir daí, os pesquisadores estimaram quanto os indivíduos poderiam economizar caso utilizassem a bicicleta nas viagens pedaláveis em dias úteis. O impacto seria maior nas classes mais baixas, com diminuição de 14 p.p na renda mensal pessoal (R$ 214 de economia, em média).

Hábitos da população
A pesquisa mostra ainda que, embora o potencial de impacto do uso da bicicleta em relação a meio ambiente, economia e saúde seja significativo, metade da população da cidade não demonstra nenhuma disposição de adotá-la como um meio de transporte cotidiano. Por outro lado, 31% da população estaria disposta a usar a bicicleta em seus deslocamentos cotidianos.
As pessoas que responderam que estariam dispostas a aderir ao uso de bicicleta apontaram melhorias na infraestrutura cicloviária (31%) e maior estímulo à atividade física (30%) como principais fatores que as levariam a mudar de hábito.
Já aqueles que responderam ter pouca ou nenhuma disposição para adotar a bicicleta como meio de transporte apontaram como motivos o fato de não gostarem ou terem medo (51%).
Mais de 70% dos ciclistas da cidade passaram a utilizar a bicicleta como meio de transporte há mais de três anos. A principal motivação para começar a pedalar é o tempo de deslocamento – ou seja, pessoas que consideravam que seu tempo de deslocamento era muito longo da forma como estava sendo feito.

Confira aqui a apresentação dos principais dados da pesquisa.

Veja também a íntegra do estudo.

Bike SP e novo sistema de compartilhamento: mais ciclistas nas ruas

O secretário de Mobilidade e Transportes, Sérgio Avelleda, anunciou nesta sexta-feira (6/4) que vai regulamentar nos próximos dias o Programa Bike SP, lei de autoria do vereador Police Neto que incentiva o uso da bicicleta como modal mais integrado ao sistema de transporte coletivo da cidade. A lei prevê a transferência do subsídio que seria pago pelo poder público às empresas de transporte coletivo, por viagem, para quem trocar o ônibus pela bicicleta. Parte desse subsídio será transformado em créditos que o ciclista poderá utilizar na aquisição de bens e serviços, pagamento de impostos e serviços de utilidade pública. São cerca de 80 a 120 reais por mês para o usuário de transporte coletivo que migrar para a bicicleta, sem que a Prefeitura gaste um centavo à mais por isso. “O Bike SP vai permitir aos usuários trocarem o transporte público pela bicicleta e participarem da economia que a cidade vai ter”, disse o secretário Avelleda.
O Programa Bike SP vai inovar e atrair novos ciclistas às ruas somado ao novo sistema de compartilhamento de bicicletas, criado também em parceria com o gabinete do vereador Police Neto e lançado na sede da Prefeitura nesta sexta-feira. O sistema de compartilhamento prevê que cada uma das quatro empresas credenciadas ofereça 20 mil bikes já no primeiro semestre. Parte dessas 80 mil bicicletas estarão disponíveis por meio do sistema conhecido como dockless, sem estações, de forma que o usuário possa pegar e deixar a bicicleta praticamente em qualquer lugar ¬– desde que adequado e reconhecido pela operadora através de georeferência. O usuário vai ter acesso ao serviço por meio do aplicativo de cada empresa (Mobike, Settel, Yellow e Trunfo) e pagar por ele com cartão de crédito. No futuro, a ideia é que as empresas possam aceitar também o Bilhete Único, e, de acordo com as regras determinadas pela Prefeitura, cada viagem não poderá custar mais de R$ 8, o equivalente a duas passagens de ônibus.
A contribuição do mandato de Police Neto na construção do novo sistema foi essencial para garantir a concorrência – que pode baratear o serviço para o usuário ¬- e rapidez na implantação. Em menos de um ano, mais de 2 milhões de viagens de bicicleta por dia devem ser realizadas dentro desse sistema, que entra em operação em breve. “Se você não constrói uma legislação sólida, dificilmente consegue atrair investidores internacionais para trazer a tecnologia que já está espalhada no mundo”, diz Police Neto.
Ao final do lançamento do sistema de compartilhamento, o prefeito João Doria lançou um desafio para que as empresas cadastradas inaugurem seus serviços no feriado de 1º de maio. “São Paulo já é a capital brasileira das bikes. Não interrompemos programas dos antecessores. Nós estimulamos e incentivamos, mas disciplinamos as ciclovias”, disse Doria, depois de elogiar a atuação de Police Neto.