Emendas parlamentares sob suspeita

Mais uma vez, as emendas parlamentares – recursos destinados a ações ou obras específicas por indicação de parlamentar – estão na mira da imprensa em um contexto de crítica e suspeita, como vem acontecendo desde a época do Escândalo dos Anões do Orçamento na Câmara dos Deputados há quase 30 anos. Desta vez, o foco é a distribuição das emendas parlamentares da Câmara Municipal ao longo dos últimos anos.

As emendas não são um mal em si. Representam uma forma de atender à demanda da população por ações mais tangíveis por parte dos parlamentares do que as funções de legislar, fiscalizar e controlar o Executivo. Neste sentido, podem ser meios de, pelo menos em algum grau, atender a demandas específicas das comunidades.

Há muitas coisas neste processo, contudo, que desvia o caminho de uma ação potencialmente legítima para um campo mais sombrio. A primeira e mais relevante delas é quando os recursos da emenda são desviados ou superfaturados, fazendo com que ela deixe de ser uma ferramenta de atendimento à população para se tornar uma fonte de recursos ilícitos.

A segunda distorção ocorre quando o Executivo utiliza o processamento das emendas parlamentares como um instrumento de barganha, trocando a liberação das emendas à votação favorável, em especial em pontos polêmicos. Este tratamento não-republicano da questão, que com frequência chega às manchetes quando bilhões de reais em emendas são liberados às vésperas de votações importantes, distorce por completo o sentido das emendas parlamentares.

Essa distorção revela o lado mais negativo e frágil da instituição parlamentar, quando o atendimento de pequenas demandas locais se torna “mais importante” que os destinos do país, estado ou município, reavivando o que havia de pior no modelo coronelista. Ao mesmo tempo revela, paradoxalmente, como as emendas parlamentares são importantes à medida em que atender a estas demandas localizadas muitas vezes acaba tendo mais peso eleitoral do que todas as funções propriamente legislativas, intangíveis para a maioria da população como apontei acima.

Buscando corrigir estes dois erros, incluí na Política Municipal de Prevenção e Combate à Corrupção, sancionada no início do ano, uma seção especialmente destinada às emendas parlamentares, exigindo em especial transparência sobre a destinação e fases de processamento de todas as emendas. Trazer o processo à luz é o primeiro passo para corrigir e aperfeiçoar algo que já se tornou, para o bem ou para o mal, uma instituição.

As próprias recentes reportagens sobre o assunto só foram possíveis porque as emendas voltaram a ser públicas e divulgadas pela internet, inclusive quanto a sua evolução nas diversas fases de processamento. Esta retomada da prática adotada no início da década, até 2012, depois abandonada pela gestão Haddad e agora retomada, é o melhor caminho para manter nos trilhos as emendas. Foi fundamental, portanto, garantir essa transparência por meio de lei, como previmos na Política Municipal de Prevenção já mencionada. Há muito menos chance tanto de haver a transformação das emendas em fontes de caixa ilícito por sua má utilização quanto de governos trocarem liberação de emendas por votações à medida que as emendas estão institucionalizadas e disponíveis para que todos as vejam do que quando elas são meros arranjos informais. As próprias reportagens dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo são a prova deste ponto. Ainda há muitas distorções a corrigir, inclusive aquelas que apontam distorções na distribuição de recursos motivadas por privilégios a certas forças políticas (o que, aliás, denunciei há alguns meses em outro artigo). Entretanto, se há transparência, a possibilidade de se corrigir desvios é muito maior e efetiva.

Em uma gestão marcada pela avareza, que mantém no cofre quase R$ 10 bilhões em recursos livres no Orçamento (além de outro tanto quase igual de recursos carimbados) enquanto a cidade agoniza em uma das piores crises de sua existência e os empregos desaparecem, o questionamento à ínfima fração dos recursos gastos por meio das emendas precisa de outro foco.

Há uma distinção fundamental a ser considerada entre aquilo que efetivamente foi feito em atendimento a demandas da sociedade e aquilo que foi só desculpa para utilizar recursos públicos. Na pior das hipóteses, as emendas foram dos poucos recursos que atenderam a alguma demanda democrática, com certeza muito mais realistas e efetivas do que as dezenas de bilhões guardadas no cofre da Prefeitura a juros irrisórios.

É evidente, contudo, de qualquer perspectiva que se observe a questão, que o processo precisa ser muito aprimorado ainda, aproximando-se mais dos interesses legítimos das comunidades do que do objetivos políticos dos parlamentares. Foi neste sentido que, desde 2019, radicalizei a ideia de tratar as emendas como instrumentos de engajamento e planejamento democrático. Esse desejo se tornou concreto por meio da Chamada Cívica, concurso de projetos elaborados pelas próprias comunidades e selecionados por uma banca de especialistas independente do meu mandato.

Com critérios objetivos e transparentes, previstos em edital, o destino dos recursos é decidido de baixo para cima e tem revelado uma sociedade genuinamente dedicada a melhorar o espaço público e a atenção aos mais vulneráveis. Ao virar essa chave, a chance de o dinheiro público ser gasto com mais critério e eficiência é muito maior, não somente pela necessidade apontada pela comunidade local mas por sua vigilância na execução do gasto e cuidado para preservar o que foi feito. Aprendemos muito nas duas edições já realizadas, em 2019 e 2020. E mesmo entre propostas que não chegaram a ser contempladas nas seleções originais (que definiram o destino de R$ 600 mil e R$ 1 milhão em emendas  respectivamente), conseguimos concretizar algumas com articulação e diálogo. A jornada de cada comunidade na Chamada Cívica ainda contribui para a união entre vizinhos e seu engajamento na transformação da cidade, além de oferecer à sociedade um acervo de projetos qualificados.

Projeto que burocratiza profissão de motoentregadores avança na Câmara

Na última quarta feira (26/8), a Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira discussão o Projeto de Lei 130/2019, de autoria do vereador Camilo Cristófaro, que propõe criar maior regulação para os motoboys e entregadores. Se virar lei, quem trabalha nas plataformas como Loggi, iFood ou Rappi vai precisar se adequar às novas regras, como o uso da placa vermelha. Antes, o PL ainda precisa ser votado e aprovado mais uma vez, além de ser sancionado pelo Prefeito.

Um dos pontos centrais da proposta é que as plataformas de entrega contratem apenas motofretistas credenciados pela prefeitura. A consequência direta seria mais de 40 mil pessoas sem renda num momento de crise e desemprego generalizado, já que, atualmente, o número de trabalhadores que têm Condumoto emitido na cidade é menor que 9 mil, enquanto há cerca de 50 mil entregadores trabalhando.

O PL 130/2019 não traz nenhuma atualização à legislação existente, nem melhora a vida dos entregadores. Pelo contrário, cria ainda mais burocracia. “Defendo absolutamente que os motoristas e entregadores tenham condições dignas de trabalho, mas nada no texto apresentado garante isso, além de criar ainda mais dificuldade para que as pessoas possam trabalhar”, pontua o vereador Police Neto, que votou contra o projeto de lei.

Com a aprovação da proposta, o impacto na economia não seria só em cima de quem trabalha com motos. Segundo dados da Fecomercio SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), aproximadamente 202 mil empresas fecharam durante o período de pandemia e 97% do total (197 mil) são estabelecimentos de pequeno porte. “São empreendedores menores que também dependem da disponibilidade desses entregadores, gerando renda e desenvolvimento na economia dos bairros”, afirma o parlamentar.

Auxílio emergencial para motoristas
Também pautado para votação, o PL 297/20, de autoria do vereador Police Neto, não chegou a ser votado devido a obstruções e discussões que aconteceram na sessão. O projeto propõe o pagamento de três parcelas de R$ 1 mil para motoristas de aplicativo, categoria que foi duramente impactada pela pandemia de Covid-19 e pelas paralisações decorrentes da quarentena.

Segundo a proposta, o pagamento do auxílio não geraria nenhum ônus à cidade, já que o valor viria do pedágio urbano pago ao município. São R$ 0,10 pagos pelos motoristas de apps por cada quilômetro rodado. O PL também prevê o pagamento do auxílio aos motoristas de táxi. “A ideia é amparar todos aqueles que têm necessidade e que sempre trabalharam pela sociedade”, diz o vereador, que pretende recolocar o projeto na pauta. “É uma proposta importante para milhares de famílias e vou continuar batalhando para seja votado nas próximas semanas”.

Police Neto é pré-candidato a vereador pelo PSD; convenção partidária está marcada para dia 31

Nesta segunda-feira (31), o Partido Social Democrático realiza sua convenção municipal em São Paulo, na qual o vereador Police Neto submete ao partido sua pré-candidatura a uma das 55 cadeiras na Câmara Municipal. O encontro vai definir a chapa completa de candidatos e candidatas ao Legislativo e confirmar o nome do ex-ministro Andrea Matarazzo na disputa para a Prefeitura. “Epicentro da pandemia no Brasil, São Paulo nunca precisou tanto de seus governantes”, diz Police Neto. “Apresento minha candidatura a um novo mandato determinado a contribuir na construção de uma cidade mais justa, eficiente e sustentável.”

Contrário à existência do Fundo Eleitoral, orçado em R$ 2 bilhões este ano, Police abriu mão de receber recursos públicos para sua campanha e, como integrante do PSD, o vereador é signatário do Termo de Compromisso Público “Eleições Limpas em 2020”, firmado junto à Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo, Ministério Público Estadual e Fórum de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro. A iniciativa tem o apoio da Transparência Internacional, do Instituto Ethos e do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral). Confira a íntegra do documento aqui. “Sou totalmente contrário ao Fundo, mas ele já foi confirmado e está previsto em lei, então que seja utilizado para financiar eleições mais inclusivas e representativas de todos os segmentos da sociedade”, afirma Police. “Do que poderia ser a parte para minha própria campanha, não vou usar esse dinheiro.”

Com a alteração do calendário eleitoral, todas as convenções partidárias serão realizadas entre os dias 31/08 e 16 de setembro. A campanha eleitoral começa apenas em 27 de setembro, e o primeiro turno está marcado para o dia 15/11. Em caso de realização de segundo turno, o pleito será no dia 29/11.

“Estamos em meio a um amplo, transparente e democrático processo de consulta a comunidades, associações de moradores e entidades da sociedade civil para a construção de nosso Programa 2021-2024. As prioridades oferecidas pela sociedade serão somadas à abordagem técnica e inovadora que sempre marcou o mandato. Essa consulta está aberta a todos e todas, mesmo a quem ainda não conhece nosso trabalho, e será concluída no final de setembro. Sou um apaixonado pela cidade, amo o que faço e tenho a certeza de que São Paulo tem condições de sair dessa pandemia melhor do que entrou, apesar da crise profunda em que estamos”, diz o vereador.

Quer sugerir alguma ação ou prioridade para o vereador Police Neto? Deixe sua proposta nos comentários desta reportagem.